Sob pressão, governador mexicano acusado de narcotráfico pelos EUA volta a se afastar do cargo
O governador do estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, procurado pelos Estados Unidos por tráfico de drogas, anunciou no sábado (22) que voltará a se afastar do cargo. O anúncio ocorre após o governo federal ter criticado seu retorno surpresa às funções na sexta-feira (21). O caso abala o cenário político mexicano.
Acusado pelos Estados Unidos de envolvimento com o Cartel de Sinaloa no tráfico de drogas, o governador Rubén Rocha Moya pediu novo afastamento do cargo após forte pressão política. Sua tentativa de reassumir o governo estadual gerou duras críticas da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, e de aliados do partido Morena. Alvo de um pedido de prisão e extradição pela Justiça de Nova York, o político solicitou licença por prazo indeterminado.
O governador do partido governista Morena, que já tinha se afastado do cargo em maio, pediu a nova licença em um documento divulgado no X. No texto, ele solicita ao Congresso de Sinaloa um "afastamento temporário por prazo indeterminado, superior a 30 dias".
O legislativo do estado mexicano ainda não definiu a data da sessão extraordinária para analisar a solicitação e nomear um novo governador interino.
O retorno de Rubén Rocha Moya à sede do governo estadual, na sexta-feira, provocou polêmicas e controvérsias, segundo o jornal mexicano El Universal. O retorno foi considerado prematuro e indicaria falta de sensibilidade do político. Ele pressupôs que as acusações contra ele teriam simplesmente desaparecido. Alguns críticos classificaram o episódio como "inédito, inaceitável e profundamente cínico".
O político, de 77 anos, governa Sinaloa, no noroeste do México, desde 2021. O primeiro afastamento do cargo de Rocha Moya, em 1º de maio de 2026, ocorreu quando a Promotoria de Nova York solicitou sua prisão e extradição.
Críticas da presidente Claudia Sheinbaum
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, criticou o retorno do governador no sábado. Ela condenou políticos que colocam seus "interesses pessoais" acima dos interesses do país.
A posição da presidente foi amplamente apoiada pelos governadores ligados ao projeto da chamada "Quarta Transformação", nome dado ao programa de reformas institucionais iniciado pelo ex-presidente de esquerda Andrés Manuel López Obrador e atualmente continuado por Sheinbaum, segundo o jornal El Excelsior.
Em uma declaração conjunta, esses governadores reafirmaram sua unidade em torno da liderança de Claudia Sheinbaum e defenderam a preservação da coesão, do respeito às instituições e dos princípios do movimento Morena.
No documento, os dirigentes afirmam que a presidente conduz o destino do México "com legitimidade, honestidade e liderança" e que seus governos estaduais apoiam essa direção com determinação e compromisso.
O Ministério do Interior do México também se distanciou da iniciativa de Rocha Moya. A pasta afirmou que a volta ao cargo do governador "responde exclusivamente a uma decisão de caráter pessoal".
Acusações nos Estados Unidos
A Promotoria dos Estados Unidos acusa Rubén Rocha Moya e outros nove funcionários mexicanos de terem se associado ao Cartel de Sinaloa "para distribuir enormes quantidades de entorpecentes nos Estados Unidos".
A Justiça americana também afirma que a facção conhecida como "Los Chapitos", ligada ao Cartel de Sinaloa, ajudou a viabilizar a eleição de Rocha Moya ao governo estadual.
Washington culpa o Cartel de Sinaloa pelo tráfico de fentanil para os Estados Unidos. A droga sintética provocou dezenas de milhares de mortes por overdose nos últimos anos no território americano, alimentando tensões diplomáticas entre os dois países.
Com AFP
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