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Extrema direita avança e AfD mira vitória histórica no Leste da Alemanha

Às vésperas das eleições regionais de 6 de setembro, os eleitores da Saxônia‑Anhalt, um estado no leste do país, vão às urnas, e a Alternativa para a Alemanha (AfD) pode conquistar uma maioria e, assim, chegar ao poder. Esta pode ser a primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, que um partido de extrema direita assumirá o comando de um governo regional na Alemanha.

24 ago 2026 - 13h10
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Resumo
Liderado por Ulrich Siegmund, o partido de extrema direita AfD alcança 42% das intenções de voto na Saxônia-Anhalt e busca uma vitória histórica no leste alemão em 6 de setembro. Explorando a nostalgia da antiga RDA e a insatisfação com a classe política tradicional, a sigla ameaça a hegemonia da CDU e pode obter maioria para governar sozinha, o que consolidaria a força do partido para disputas futuras em nível nacional.

Pascal Thibaut, correspondente da RFI em Berlim 

Ulrich Siegmund (à direita), líder da chapa do partido de extrema direita AfD para as eleições regionais na Saxônia‑Anhalt, em 6 de setembro.
Ulrich Siegmund (à direita), líder da chapa do partido de extrema direita AfD para as eleições regionais na Saxônia‑Anhalt, em 6 de setembro.
Foto: REUTERS - Christian Mang / RFI

Ulrich Siegmund, líder da chapa do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Saxônia‑Anhalt, exibia confiança neste domingo (23) de manhã em plena campanha eleitoral."Nós somos o futuro. Estamos ao lado da Alemanha e não vamos recuar um milímetro. No dia 6 de setembro, vamos escrever uma página de história e retomar nosso país", afrimou.

Aos 35 anos, o ex‑vendedor de perfumes, com aparência de "genro ideal" e sorriso permanente, se transformou em um orador habilidoso, capaz de eletrizar multidões. Embora pinte um quadro sombrio de uma região à beira da ruína e denuncie uma imigração ilegal que, segundo ele, gera insegurança, Siegmund evita os tons mais radicais de alguns colegas de partido. Mais do que o programa da AfD, ele quer transmitir uma mensagem de esperança a seus apoiadores, dando uma resposta a uma insatisfação profunda, marcada por uma rejeição maciça da classe política, do sistema político em geral e da mídia tradicional.

Diante dessas frustrações, a AfD tenta adotar um discurso mais positivo, cultivando, por exemplo, certa nostalgia da antiga RDA, a República Democrática alemã. A ideia não é defender um retorno ao regime comunista, algo improvável para um partido de extrema direita, mas explorar o sentimento de que "tudo era melhor antes".

Entre os mais jovens, é comum que eles se identifiquem antes de mais nada como "originários do Leste". A percepção de que a reunificação, apesar dos ganhos econômicos, transformou os alemães da ex‑RDA em cidadãos de segunda classe é amplamente difundida. A AfD quer, portanto, encarnar a revanche do Leste.

Neste domingo, Siegmund voltou a liderar pela região uma grande caravana de milhares de pessoas pilotando uma mobilete da era da RDA, a Simson, símbolo de liberdade no período comunista. Para os mais velhos, a mobilete desperta boas lembranças; para os jovens, é uma forma de afirmar a identidade "do Leste". Os adesivos colados nas motos reforçavam essa mensagem.

Vitória em 6 de setembro permitiria à AfD escrever uma página da história

Uma pesquisa recente atribui 42% das intenções de voto à AfD na eleição regional de 6 de setembro. Se confirmado nas urnas, o resultado deixaria o partido muito próximo de uma maioria de cadeiras do parlamento da Saxônia‑Anhalt, o que permitiria à sigla governar sozinha graças ao sistema eleitoral alemão.

A meta da direção é ampliar ainda mais essa vantagem nas duas semanas restantes de campanha. A mobilização dos apoiadores, a esperança depositada na AfD e a ampla aceitação do movimento na sociedade tornam esse cenário plausível, sobretudo porque a CDU, que governa o estado com sociais‑democratas e liberais, aparece muito atrás nas pesquisas, com cerca de vinte pontos de desvantagem.

Para reveter a situação, a CDU só teria uma opção realista: formar uma coalizão que incluísse o partido de esquerda Die Linke. Mas os democrata‑cristãos rejeitam qualquer aliança com essa sigla, assim como com a AfD. Para eles, o pleito que se aproxima parece um problema sem solução.

Entre os partidos de extrema direita relevantes na Europa, a AfD é um dos mais radicais. O diretório da Saxônia‑Anhalt elaborou um programa ainda mais duro que o nacional. Algumas propostas, porém, não são financiáveis ou não podem ser aplicadas por não serem de competência do estado, como a questão da imigração.

Para não frustrar seus eleitores, a AfD afirma que esses temas devem ser considerados no longo prazo. Mas o essencial está em outro ponto: vencer as eleições regionais na Saxônia‑Anhalt em 6 de setembro abriria caminho para outras vitórias, primeiro em outras unidades federativas e, depois, a médio prazo, em nível nacional.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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