Ucrânia celebra 35 anos de independência e recebe nova ajuda de € 6,1 bilhões da União Europeia
A Ucrânia celebra nesta segunda-feira (24) os 35 anos de sua independência. No mesmo dia, acolhe uma reunião da chamada Coalizão dos Voluntários, formada pelos principais aliados europeus. O encontro é copresidido por França, Alemanha e Reino Unido e marca também a primeira viagem internacional do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham.
Ao celebrar 35 anos de independência em meio à intensificação dos ataques russos, a Ucrânia recebeu o anúncio de um novo repasse de € 6,1 bilhões da União Europeia. O montante visa fortalecer a produção de munições e os sistemas de defesa antiaérea, demanda urgente de Kiev diante do avanço dos bombardeios contra civis. Aliados como França e Reino Unido também reforçaram o apoio militar com o envio de interceptores e suporte tecnológico para mísseis de longo alcance.
A celebração deste ano ocorre em um contexto particularmente simbólico. A independência ucraniana, proclamada em agosto de 1991 após décadas de domínio soviético, está no centro do conflito com a Rússia. Em meio à guerra iniciada em 2022, a data ganhou um significado renovado e passou a representar não apenas a fundação do Estado moderno, mas também a luta pela preservação de sua soberania.
Em resposta ao apelo de seu ex-ministro da Defesa Mykhailo Fedorov para a convocação de novas eleições, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, avalia que a realização de eleições em tempo de guerra representaria um perigo para o país.
A reunião da Coalizão dos Voluntários ocorre em um momento em que a Rússia intensifica os bombardeios com mísseis balísticos na Ucrânia, aumentando o número de vítimas civis.
O reforço da ofensiva russa levou o presidente ucraniano a multiplicar os pedidos de sistemas de defesa antiaérea aos países aliados nas últimas semanas, já que as armas de fabricação ucraniana não têm capacidade para interceptar os mísseis balísticos russos.
Apoio europeu
No sábado (22), o presidente francês, Emmanuel Macron, comprometeu-se a enviar interceptores à Ucrânia, após os mais recentes ataques russos contra o país. Na sexta-feira (21), um centro comercial ucraniano foi atingido, deixando ao menos 16 mortos.
Já o premiê Andy Burnham deve dar sinal verde para que o Reino Unido divulgue informações classificadas a fim de ajudar Kiev e Paris a implementar a fabricação do míssil de cruzeiro franco-britânico Scalp, de longo alcance.
Nesta manhã, a União Europeia (UE) também anunciou o desbloqueio de uma nova parcela de € 6,1 bilhões em ajuda à Ucrânia, permitindo que o país fortaleça suas defesas aéreas e suas capacidades de produção de mísseis e munições.
"Neste Dia da Independência da Ucrânia, expressamos nosso apoio inabalável", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Essa ajuda, crucial para a Ucrânia, cujas cidades e infraestruturas são atacadas diariamente pela Rússia, faz parte do empréstimo de € 90 bilhões, incluindo € 60 bilhões em ajuda militar, concedido a Kiev pela UE.
Cerca de € 16 bilhões já foram aprovados, dos quais € 8,5 bilhões já foram desembolsados, segundo a Comissão Europeia.
"Com 376 ataques de mísseis registrados somente em julho, o fortalecimento das defesas da Ucrânia tornou-se cada vez mais urgente", afirmou a Comissão Europeia em um comunicado à imprensa.
A Ucrânia carece particularmente de mísseis interceptores do sistema Patriot para neutralizar os mísseis balísticos russos.
A reunião com seus principais apoiadores europeus é mais uma tentativa de obter equipamentos de defesa aérea e aumentar a pressão sobre a Rússia, cujos ataques já causaram mais mortes de civis do que em qualquer outro momento desde o início da guerra.
Com AFP
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