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Índia abre encontro mundial de IA em clima de incerteza sobre proteção da infância e futuro do trabalho

O quarto encontro mundial sobre inteligência artificial (IA) foi aberto nesta segunda‑feira (16) em Nova Délhi para discutir o impacto da revolução que se aproxima. Os temas de debate vão desde o mercado de trabalho até a proteção da infância. No entanto, muitos participantes duvidam que o evento resulte em medidas concretas. Cerca de 20 chefes de Estado e de governo, de países como França, Brasil, Espanha e Emirados Árabes Unidos, são esperados ao lado do primeiro‑ministro indiano, Narendra Modi.

16 fev 2026 - 14h35
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A maior parte dos grandes nomes do setor também deve participar até sexta‑feira (20) do evento na capital indiana: de Sam Altman, CEO da OpenAI, ao diretor‑geral do Google, Sundar Pichai, passando por Jensen Huang, chefe da Nvidia, gigante americano dos microprocessadores.

Em sua conta no X, Narendra Modi afirmou estar "unindo o mundo para debater a inteligência artificial". E deu as boas-vindas aos líderes e profissionais do setor. 

Os primeiros workshops e debates realizados nesta segunda‑feira abordaram temas variados, como o potencial da IA para melhorar a segurança nas estradas indianas e a contribuição das mulheres do Sul da Ásia no setor tecnológico.

"Regulação excessiva"

Impulsionada pelo forte desempenho das empresas de tecnologia na bolsa, a revolução em curso alimenta preocupações sobre seu impacto no meio ambiente, no emprego, na criação artística, na educação e na informação.

Resta saber se serão adotadas medidas realmente vinculantes para regular seu uso e impô‑las aos poderosos gigantes do setor, questiona Amba Kak, codiretora do instituto AI Now.

Até agora, os compromissos assumidos "se limitaram a estabelecer estruturas de 'quase autorregulação'", observa a ex‑conselheira de IA da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos. "A indústria de IA não apenas conduz a tecnologia em si, mas também a forma como a regulamos ou não regulamos", afirma.

No fim do "Encontro para a Ação sobre a IA", realizado em Paris no ano passado, dezenas de países assinaram uma declaração em favor de uma IA "aberta", "inclusiva" e "ética".

Estados Unidos e Reino Unido se recusaram a assinar. O vice‑presidente americano, JD Vance, alertou contra uma "regulação excessiva" que poderia "matar uma indústria em plena expansão".

Para Amba Kak e outros especialistas, os temas escolhidos para as discussões em Nova Délhi, "as pessoas, o progresso e o planeta", são vagos demais para que se chegue a medidas concretas.

"Destruir empregos"

As urgências, no entanto, são reais, especialmente no que diz respeito à proteção da infância, como lembrou o escândalo mundial provocado pelo caso Grok, ferramenta desenvolvida pela plataforma X, de Elon Musk, que levou à disseminação de imagens de mulheres e menores nus geradas por IA.

"A importância da proteção da infância e dos riscos digitais cresce a cada instante", afirma Kelly Forbes, diretora do AI Asia Pacific Institute, que acredita "existir uma real margem de ação para mudar esse cenário".

Com seu bilhão de internautas, a Índia se orgulha de ser o primeiro país em desenvolvimento a organizar o encontro. No ano passado, o país conquistou o terceiro lugar, à frente da Coreia do Sul e do Japão, no ranking anual de competitividade em IA elaborado pela Universidade Stanford, na Califórnia.

Em 2025, os gigantes da IA anunciaram dezenas de bilhões de dólares em promessas de investimento na Índia, o país mais populoso do mundo, cuja mão de obra abundante, qualificada e barata já o transformou em líder global em terceirização de serviços de TI.

Mas a grande transformação anunciada tornou todo esse setor extremamente vulnerável. Os avanços rápidos das ferramentas de voz baseadas em IA "vão definitivamente destruir esses empregos" nos próximos anos, declarou à AFP o fundador indiano de uma start‑up, Peush Bery. "Mas novos empregos e novos setores vão surgir", avaliou.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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