PUBLICIDADE

Fala de Biden sobre Ucrânia volta a aumentar tensão com Rússia

Até mesmo fontes de Kiev se surpreenderam com discurso

20 jan 2022 14h56
| atualizado às 15h29
ver comentários
Publicidade

As respostas do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre a crise ucraniana durante a coletiva de imprensa desta quarta-feira (19) voltaram a elevar a tensão com a Rússia e surpreenderam até mesmo Kiev pela retórica mais dura.

Coletiva de Biden causou diversas críticas internacionais
Coletiva de Biden causou diversas críticas internacionais
Foto: EPA / Ansa - Brasil

Durante a fala, Biden afirmou que se o presidente russo, Vladimir Putin, invadisse o país vizinho seria um "desastre" para seu Estado e que o líder do Kremlin poderia fazer "pequenas incursões" em áreas já de conflito, como o Donbass. Além disso, informou que enviou milhares de armamentos e equipamentos de inteligência para a Ucrânia.

Fontes ouvidas pela CNN disseram que o governo de Kiev ficou "chocado" com o tom do discurso e entenderam que Biden deu um "sinal verde" para Putin invadir a nação. Rapidamente, a Casa Branca teria entrado em contato para garantir que a declaração foi para dizer que "se houver" uma invasão, será "dada uma resposta dura e unida dos EUA e dos aliados".

Biden também se manifestou nesta quinta-feira (20) sobre o tema e disse que considera "uma invasão" qualquer "pequena incursão" na Ucrânia.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou em sua coletiva diária que as falas de Biden "podem facilitar a desestabilização de toda a situação".

"Todas essas declarações poderiam infundir esperanças completamente erradas nas cabeças quentes de alguns representantes da Ucrânia, da liderança da Ucrânia que, na surdina, poderia decidir dar início a uma nova guerra civil no próprio país e buscar resolver com a força a questão do sudeste [Donbass]", pontuou ainda.

Peskov ainda ressaltou que não está descartada uma nova reunião entre Putin e Biden, mas "que isso não vai acontecer amanhã", quando o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, e o secretário norte-americano de Estado, Antony Blinken, vão se reunir em Genebra.

Novas armas

Nesta quinta, os EUA aprovaram o pedido dos países bálticos de enviar armas produzidas pelos norte-americanos para a Ucrânia para se "defender" de uma ofensiva russa, informam fontes de Washington.

A nova medida fez com que a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Moscou, Maria Zakharova, alertasse o "ocidente" a parar de "apoiar a militarização da Ucrânia e querer jogá-la na Otan".

Para os ocidentais, Moscou está enviado tropas para as áreas de fronteiras para atacar a Ucrânia caso o país decida se aliar à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Já Putin afirma que só está fazendo ações para defender seu território e garantir a segurança.

Lavrov-Blinken

Também nesta quinta, representantes das Relações Exteriores das duas nações voltaram a se manifestar sobre o encontro entre Blinken e Lavrov nesta sexta-feira (21).

Para Zakharova, Moscou não espera uma solução imediata para a crise ucraniana e que o encontro de amanhã servirá para "dar novos passos" em direção a um acordo sobre o tema.

"As partes devem examinar os resultados das reuniões da última semana [...] e decidirem possíveis passos futuros, incluindo a rápida resposta escrita dos EUA", acrescentou.

Quem também se manifestou foi o enviado russo à União Europeia, Vladimir Chizhov, que disse à ANSA que "espera que Antony Blinken não chegue ao encontro de Genebra com as mãos vazias".

"Os políticos ocidentais repetem um mantra de Kiev: nenhuma discussão sobre a Ucrânia sem a Ucrânia. Ok. Então nós podemos dizer que nenhuma discussão sobre a Rússia sem a Rússia também. Mas, espero que prevaleça o bom senso", pontuou.

Por sua vez, Blinken ressaltou que os EUA "sempre representaram de maneira muito clara que uma nova agressão contra a Ucrânia teria consequências claras por nossa parte" e que "a ideia de colocar à disposição de Kiev equipamentos militares de defesa - sejam norte-americanos, europeus ou da Otan - não é uma provocação ou uma razão para a atividade russa inverter a situação".

Reações internacionais

Após se reunir com Blinken nesta quinta, a ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, afirmou que "estamos de acordo sobre o fato de que a única via é a política e esse caminho é o diálogo".

"Infelizmente, a Rússia fala uma outra língua e as atividades militares aumentam. Sobre a segurança da Ucrânia, nós temos uma análise comum e com uma aceleração [do conflito] nós avaliaremos as sanções mais eficazes, de modo que devem causar um impacto", acrescentou Baerbock.

Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, repetiu a fala de Biden e disse que uma invasão militar russa seria um "desastre".

"Se a Rússia fizer uma incursão na Ucrânia, de qualquer tamanho, eu acredito que seria um desastre, e não apenas para os russos. Seria um desastre para o mundo. O Reino Unido está fortemente apoiando a soberania e integridade territorial", destacou. .
   

Ansa - Brasil   
Publicidade
Publicidade