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Reino Unido quer proibir redes sociais para menores de 16 anos e adotar 'toque de recolher' digital

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (15) que proibirá o acesso às redes sociais para menores de 16 anos, e espera que uma lei seja aprovada "antes do Natal". O objetivo é que a proibição entre em vigor "no começo do próximo ano", entre março e junho de 2027.

15 jun 2026 - 11h11
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"As redes sociais deixam as crianças infelizes. Facilitam o assédio e os abusos", declarou o premiê, que definiu a medida como "um passo importante" para o país. A proibição afetará redes sociais como Snapchat, TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X, mas poupa os aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Signal.

De acordo com Starmer, o governo adotará "medidas sem precedentes" em relação às plataformas de jogos eletrônicos e de streaming, espaços online onde desconhecidos podem entrar em contato com qualquer menor de idade sem controle.

O Reino Unido pretende impor um "bloqueio" de determinadas funções e impedir a comunicação com um menor de 16 anos, afirmou o governo em comunicado. Além disso, o governo britânico "estudará a implementação de toques de recolher noturnos e de pausas nas funções de rolagem automática de conteúdos para menores de 18 anos".

Menores também não poderão utilizar chatbots baseados em inteligência artificial projetados para simular relações sexuais. A concretização da proposta ocorre após uma consulta nacional sobre o tema, que recebeu quase 116 mil proposições. Cerca de 91% dos pais declararam apoiar uma proibição das plataformas para menores de 16 anos.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, participa de uma coletiva de imprensa para anunciar ações do governo para proteger crianças online, em Downing Street, no centro de Londres, nesta segunda.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, participa de uma coletiva de imprensa para anunciar ações do governo para proteger crianças online, em Downing Street, no centro de Londres, nesta segunda.
Foto: RFI

Plataformas alertam para uso de "serviços anônimos"

O governo britânico também pediu, em 8 de junho, às gigantes do setor de tecnologia, como Apple e Google, que implementem, no prazo de três meses, ferramentas que bloqueiem o envio e o recebimento de imagens sexualmente explícitas por menores.

Após o anúncio do primeiro-ministro britânico, o YouTube respondeu que a proibição das redes sociais corre o risco de "levar as crianças para serviços anônimos e menos seguros", em declaração enviada à agência AFP.

"Há mais de 10 anos, investimos em experiências adaptadas por idade, supervisionadas por especialistas, assim como em proteções automáticas para adolescentes, e vamos continuar fazendo isso", afirmou um porta-voz da plataforma do Google, que alega ser "um recurso essencial para os jovens, os professores e os pais".

Tendência mundial

Países como a Austrália, pioneira no tema, e a Indonésia já implementaram medidas similares. O Parlamento da Turquia também aprovou, em abril, uma lei para impedir que menores de 15 anos tenham acesso às redes sociais.

Nesta segunda, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse esperar que uma lei similar, que deve ser votada em julho pelo Parlamento, entre em vigor em setembro. O país lidera uma campanha a favor da adoção de uma regulamentação mais rígida sobre o tema em conjunto com parceiros da União Europeia (UE), como Dinamarca, Grécia e Espanha.

Com agências

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