Partidos da Groenlândia reagem à ameaça de Trump de usar 'maneira dura' para adquirir a ilha
"Não queremos ser americanos", reafirmaram os partidos políticos da Groenlândia em uma declaração conjunta divulgada na noite de sexta-feira (9), após Donald Trump afirmar que os Estados Unidos poderiam usar "a maneira suave" ou "a maneira dura" para adquirir a ilha.
"Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses: queremos ser groenlandeses", escreveram os líderes dos cinco partidos representados no parlamento local - os quatro da coalizão governamental e um da oposição, que defende a independência do território autônomo dinamarquês.
"O futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo povo groenlandês", afirmaram.
"Nenhum outro país pode interferir. Devemos decidir o futuro do nosso próprio país, sem pressão por uma decisão precipitada, sem procrastinação ou interferência de outros países", acrescentaram.
Donald Trump insiste que os Estados Unidos devem assumir o controle da Groenlândia para garantir sua própria segurança frente a Pequim e Moscou.
"Não podemos permitir que a Rússia ou a China ocupem a Groenlândia. É isso que elas farão se não agirmos. Portanto, tomaremos alguma providência em relação à Groenlândia, seja da maneira suave ou da maneira dura", declarou o presidente na sexta-feira. Nuuk e Copenhague contestam esse argumento.
"Não compartilhamos da ideia de que a Groenlândia esteja inundada por investimentos chineses", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, no início desta semana. "Estamos cuidando do Reino", enfatizou.
"Fã da Dinamarca"
"Devo dizer que também sou fã da Dinamarca, e eles foram muito gentis comigo", disse o presidente americano a repórteres na Casa Branca. "Mas, sabe, só porque eles desembarcaram lá de barco há 500 anos não significa que sejam donos do território", acrescentou.
Embora se recuse a descartar a opção militar, a Casa Branca indicou que o presidente estaria "ativamente" considerando a compra da vasta ilha do Ártico, sem especificar de que forma essa transação poderia ocorrer.
Desde 1951, existe um acordo de defesa entre os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia que concede às forças armadas americanas ampla liberdade de atuação em território groenlandês, desde que as autoridades locais sejam notificadas previamente.
O presidente americano reconheceu, em entrevista ao New York Times na quinta-feira, que talvez tenha de escolher entre preservar a integridade da Otan e controlar o território dinamarquês.
A Dinamarca, incluindo a Groenlândia, é membro da Otan, e um eventual ataque americano a qualquer país da Aliança significaria "o fim de tudo", alertou a primeira-ministra Mette Frederiksen.
Com AFP