A duas semanas das eleições municipais na França, revistas projetam duelo Mélenchon-Bardella em 2027
A quinze dias do primeiro turno das eleições municipais na França, que devem redesenhar as relações de força políticas, as revistas semanais já estão preocupadas com outra votação importante no país. A Nouvel Obs e a Le Point antecipam um provável duelo entre Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, e Jordan Bardella, da extrema direita, na eleição presidencial de 2027.
Na manchete de capa, ilustrada com uma foto do líder do partido A França Insubmissa (LFI), a Nouvel Obs afirma que "Mélenchon está em um impasse". A revista entrevistou o político pouco antes da morte do jovem de extrema direita Quentin Deranque, em Lyon, durante uma briga com militantes antifascistas.
O texto destaca que Mélenchon é alvo de uma avalanche de críticas. Para a publicação, o líder da LFI "acaba com as chances da esquerda" e "beneficia a extrema direita" devido à sua estratégia de confronto permanente, à sua relação com a violência política e à sua responsabilidade na fragmentação da esquerda.
O politólogo Philippe Marlière, ouvido pela Nouvel Obs, avalia que essa "estratégia minoritária de Mélenchon o levará ao fracasso".
Segundo ele, a LFI pode até chegar ao segundo turno da eleição presidencial, mas não teria condições de vencer.
"Inimigos perfeitos"
A Le Point afirma, em editorial, que Mélenchon e Bardella são "inimigos perfeitos". Sob a aparência de antagonismo, o partido Reunião Nacional (RN), de extrema direita, e a França Insubmissa, na prática, trabalham lado a lado. As duas legendas compartilhariam o mesmo objetivo: se enfrentarem diretamente em 2027.
"O melhor aliado do RN é a LFI", aponta o texto. No entanto, Bardella — provável candidato da extrema direita no lugar de Marine Le Pen, condenada pela Justiça — ainda não garantiu a vitória.
O RN segue com sua estratégia de "desdiabolização", moderando discurso e programa. Bardella, por sua vez, iniciou uma suposta conversão ao pragmatismo econômico destinada a seduzir a direita tradicional. Mas, para a Le Point, essa estratégia "continua sendo uma farsa". Ainda assim, a revista avalia que Bardella só encontraria dificuldades para vencer o segundo turno caso seu adversário não fosse Mélenchon.
Uma pesquisa encomendada pela revista mostra que 41% dos entrevistados não desejam a vitória de nenhum dos dois candidatos.
Nesse cenário, "uma parte importante da sociedade não estaria representada", analisa o especialista Jean‑Yves Dormagen, que alerta para um possível "problema de legitimidade política e democrática" no país.