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Após 4 anos de guerra, Ucrânia resiste a ataques maciços de drones russos com redes artesanais e robôs

Quatro anos depois da invasão russa, a guerra na Ucrânia continua em um impasse sangrento, e sem qualquer sinal de desfecho. Estimativas militares apontam entre 1,5 milhão e quase 2 milhões de soldados mortos desde 2022 — a maioria deles russos. Nesta terça-feira (24), data que marca mais um aniversário da guerra, a RFI ouviu militares e civis para traçar um resumo da situação atual no país.

24 fev 2026 - 08h57
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Com informações dos enviados especiais da RFI à Ucrânia, Murielle Paradon e Julien Boileau, e de Théo Renaudon.

Na foto, a 65ª Brigada Mecanizada das Forças Armadas da Ucrânia, em 22 de fevereiro de 2026, em um local não divulgado na região de Zaporíjia. na Ucrânia.
Na foto, a 65ª Brigada Mecanizada das Forças Armadas da Ucrânia, em 22 de fevereiro de 2026, em um local não divulgado na região de Zaporíjia. na Ucrânia.
Foto: AFP - ANDRIY ANDRIYENKO / RFI

A Rússia mantém o controle de aproximadamente 20% do território da Ucrânia, consolidando ganhos obtidos sobretudo em 2024, ainda que sem grandes avanços desde então. A presença russa é forte ao leste, no Donbass, e ao sul, perto de Zaporíjia, Kherson e Crimeia.

Porém, a proliferação de drones mudou a configuração da guerra. Na cidade portuária de Kherson, é preciso dirigir em alta velocidade para evitar ser perseguido por um drone russo. A estrada também é parcialmente protegida por redes artesanais projetadas para deter o que os moradores chamam de "máquinas mortais". 

"Usamos diferentes tipos de redes para deter os drones. Algumas têm buracos de vários tamanhos, que podem parar os drones e as cargas explosivas que eles lançam", explica Oleksander Tolokonnikov, vice-chefe da administração regional de Kherson. "E não são apenas as redes; temos sistemas de interferência contra drones e unidades móveis que podem abatê-los," completa. 

O clima é sombrio na cidade. Cerca de 80% da população fugiu de Kherson. Os poucos que ficaram parecem resignados. 

Vika tomava um café ao ar livre, enfrentando o frio e a ameaça inimiga. Aos 16 anos, ela diz que se acostumou com a ideia de morrer a qualquer momento. 

"Quando você ouve o som de um drone, você não sabe o que vai acontecer, se você vai conseguir chegar ao seu destino ou se o drone vai lhe atingir. Então eu me escondo debaixo das árvores, sim, das árvores!" 

Apenas os idosos, funcionários públicos e suas famílias permaneceram em Kherson. Para eles, a vida está por um fio. Ludmila, de 71 anos, prefere depositar sua fé em Deus. "Antes de sair de casa, eu rezo a Deus para que Ele esteja comigo, para que nada aconteça comigo, com meus filhos, meus netos ou com a minha igreja", diz. 

Combate robotizado

Além da guerra com drones, os soldados ucranianos contam cada vez mais com a ajuda de robôs no combate. Equipamentos controlados remotamente são usados para reabastecer soldados e até mesmo resgatar os feridos, como os enviados especiais da RFI acompanharam em Pavlograd, no leste da Ucrânia. 

Na zona rural coberta de neve, Artem, um soldado de 24 anos, opera remotamente um robô equipado com uma plataforma e grandes esteiras — uma espécie de mini-tanque — que surgiu no campo de batalha há alguns meses para reabastecer os soldados ucranianos na linha de frente. 

"Usamos este robô conectado para transportar suprimentos, comida, geradores, munição — tudo o que os soldados precisam para sobreviver. Devido ao grande número de drones inimigos, não é possível reabastecer os soldados a pé ou em um veículo sem colocar em risco a vida de outros soldados." 

Esses robôs também podem evacuar os feridos. Os dispositivos maiores podem transportar uma carga de até 500 kg. Artem relata que em uma operação recente conseguiram "evacuar dois soldados feridos que estavam cercados em território já ocupado pelo inimigo.

A evacuação exigiu um longo planejamento", afirma. "Aguardamos condições climáticas favoráveis e então lançamos a operação. Ela durou 10 horas e foi um sucesso! Não consigo descrever a emoção que senti quando conseguimos retirar o robô com os dois soldados feridos da zona de perigo", conclui. 

O próprio jovem Artem foi ferido na linha de frente em 2023. Tendo perdido uma perna, ele não luta mais com um fuzil, mas com um joystick, que é uma nova forma de fazer guerra. 

Conversas de paz estagnadas

Enquanto isso, na arena diplomática, as mais recentes negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, realizadas em Genebra em meados de fevereiro, terminaram sem avanços significativos. As duas delegações descreveram as conversas como "difíceis".

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os resultados foram "insuficientes" e que questões políticas sensíveis seguem sem solução, apesar de algum progresso técnico nas discussões militares. 

Novas rodadas estão previstas, mas sem data anunciada. Os Estados Unidos continuam a mediar o processo e falam em "progresso significativo".

Combate à corrupção

Ao mesmo tempo em que enfrenta negociações de paz marcadas por avanços limitados e grande pressão internacional, a Ucrânia também trava uma batalha interna contra a corrupção — um fator decisivo para sua credibilidade diante dos mediadores e aliados ocidentais. Kiev tenta demonstrar comprometimento institucional ao aprofundar investigações, sancionar envolvidos em escândalos e restaurar a independência de órgãos anticorrupção. Essas medidas são vistas como essenciais, tanto para fortalecer sua posição nas negociações quanto para avançar no caminho da integração europeia. 

Saudadas por ONGs anticorrupção, essas deliberações ainda são insuficientes, explica Maria Barabach, porta-voz da Sproto ("Resistência", em português), que denuncia os subornos e acordos secretos na Ucrânia. "Antes da guerra, havia relatórios oficiais de que a corrupção custava mais de 30% do orçamento da Ucrânia", diz. "Mas acho que esse valor aumentou durante a guerra, porque existem muitos documentos confidenciais. E nós, como ativistas anticorrupção, não podemos verificá-los, controlá-los ou sequer vê-los", lamenta. 

"A corrupção nos custa mais vidas do que o agressor durante a guerra. Porque a corrupção significa que os soldados não terão capacetes, não terão equipamentos de proteção e não terão armas suficientes. Não terão munição suficiente. E, obviamente, isso custa vidas, as mais preciosas, as de nossos civis e de nossos militares. É por isso que devemos lutar contra isso. Devemos impedir isso." 

Apesar da exaustão do conflito, qualquer noção de "vencedor" é ilusória nesse momento, segundo especialistas: Moscou suporta perdas históricas e uma economia sob pressão, enquanto Kiev enfrenta desgaste humano, destruição de infraestrutura e dependência crescente do apoio ocidental. Ainda assim, pesquisas apontam que a sociedade ucraniana mantém um nível surpreendente de resiliência. 

Ao completar quatro anos de guerra, as expectativas de um acordo entre Rússia e Ucrânia seguem baixas. Moscou insiste em concessões territoriais amplas, enquanto Kiev exige garantias de segurança robustas e rejeita ceder partes de seu território. 

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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