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Surto de hantavírus em cruzeiro: retirada de passageiros deve terminar nesta segunda

Navio deve retomar a rota em direção aos Países Baixos por volta das 20h locais, (15h em Brasília)

11 mai 2026 - 06h39
(atualizado às 07h43)
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Médicos chegam à Base Aérea de Eindhoven, na Holanda, em 10 de maio de 2026, para receber passageiros do MV Hondius.
Médicos chegam à Base Aérea de Eindhoven, na Holanda, em 10 de maio de 2026, para receber passageiros do MV Hondius.
Foto: RFI

O governo espanhol espera concluir nesta segunda-feira, 11, o mais rapidamente possível, a retirada dos passageiros e membros da tripulação do cruzeiro MV Hondius. O navio deve retomar a rota em direção aos Países Baixos por volta das 20h locais, (15h em Brasília).

De acordo com o ministro da Política Territorial da Espanha, Ángel Víctor Torres, o início do reabastecimento de combustível do navio estava previsto para a manhã desta segunda‑feira. Em seguida, a embarcação poderá seguir viagem pelo Atlântico em direção aos Países Baixos.

A operação no porto foi acompanhada por jornalistas de vários países, mantidos à distância por cerca de 350 integrantes da Guarda Civil e da polícia espanhola. Os passageiros desembarcaram usando roupas e máscaras de proteção. Autoridades locais e moradores de Tenerife esperam que tanto o navio quanto a tripulação deixem o arquipélago o mais rapidamente possível.

Segundo a diretora da Proteção Civil espanhola, Virgina Barcones, a operação deve durar entre quatro e cinco horas. No domingo, 10, 94 ocupantes, dos cerca de 150 passageiros e tripulantes, foram retirados do navio, informou o governo espanhol, responsável pela coordenação da operação. Os passageiros retornam aos poucos a seus países de origem em voos organizados a partir do aeroporto de Tenerife.

"Ainda restam alguns cidadãos neerlandeses e australianos, e espero que possamos concluir até antes do horário previsto", afirmou Ángel Víctor Torres em entrevista à rádio pública RNE.

Após a retirada dos passageiros, apenas parte da tripulação seguirá com o navio até os Países Baixos, onde a embarcação está registrada, acrescentou o ministro. Os dois últimos voos de repatriação estão previstos para a tarde desta segunda-feira: um com destino aos Países Baixos e outro à Austrália, segundo o Ministério da Saúde da Espanha.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, acompanhou o desembarque dos passageiros em território espanhol e afirmou que o risco para a população local é baixo, em razão das características da doença e das medidas de segurança adotadas.

Uma passageira francesa repatriada do navio de cruzeiro MV Hondius testou positivo para hantavírus em Paris. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma nova reunião nesta segunda-feira à tarde para acompanhar a evolução da situação, informou a porta-voz do governo, Maud Bregeon. 

O objetivo é acompanhar "bem de perto a evolução da situação". Dos cinco passageiros franceses repatriados no domingo por avião e colocados em isolamento no hospital Bichat, no 18° da capital, quatro testaram negativo. 

O estado de saúde de uma mulher "infelizmente piorou durante a noite" e os "testes deram positivo", anunciou a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, na manhã de segunda‑feira, à rádio France Inter.

Os cinco passageiros estão internados em quartos preparados para evitar contaminação cruzada e permanecerão isolados até nova ordem, por no mínimo 15 dias, afirmou Rist.

Ela confirmou que cerca de 20 franceses considerados casos de contato foram identificados: oito entre os passageiros do voo de 25 de abril entre Santa Helena e Joanesburgo, que foram rapidamente colocados em isolamento, e outros 14 a bordo do voo Joanesburgo-Amsterdã.

A ministra pediu que esses últimos entrem em contato com as autoridades sanitárias para reforçar as medidas de isolamento.

Segundo ela, o governo acompanha o caso com vigilância máxima, com base em um vírus conhecido, o que motivou a adoção de 42 dias de isolamento para casos de contato. Bregeon afirmou ainda que não há motivo para pânico e descartou comparações com a pandemia de Covid-19.

O surto começou após a partida do navio de Ushuaia, na Argentina, no início de abril, quando um passageiro neerlandês apresentou sintomas gripais e morreu a bordo em 11 de abril. Outros passageiros adoeceram nas semanas seguintes, levando a OMS a reconhecer formalmente o surto no início de maio.

Os passageiros retirados do navio devem cumprir quarentena de acordo com os protocolos adotados por cada país. A OMS recomenda 42 dias de isolamento para pessoas que tiveram contato com infectados.

Além da francesa, um dos 17 passageiros americanos evacuados para os Estados Unidos do navio onde foi identificado um surto de hantavírus testou positivo para a doença, segundo o Departamento de Saúde dos EUA. Outro apresenta sintomas leves, mas ainda sem confirmação positiva.

Passageiros norte-americanos do navio de cruzeiro MV Hondius, afetados por um surto de hantavírus, recebem orientações da equipe após desembarcarem de um barco, no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, Espanha, em 10 de maio de 2026.
Passageiros norte-americanos do navio de cruzeiro MV Hondius, afetados por um surto de hantavírus, recebem orientações da equipe após desembarcarem de um barco, no porto de Granadilla de Abona, em Tenerife, Espanha, em 10 de maio de 2026.
Foto: REUTERS - Hannah McKay / RFI

Austrália isola passageiros

A Austrália informou que irá isolar por pelo menos três semanas seis passageiros do MV Hondius na chegada ao país. Entre eles, quatro são australianos, um tem residência permanente e outro é de nacionalidade neozelandesa.

Os passageiros devem voar das Ilhas Canárias para uma base aérea no sudoeste da Austrália, próxima ao centro de quarentena de Bullsbrook, construído durante a pandemia de Covid-19 nos arredores de Perth, informou o ministro da Saúde, Mark Butler. Eles deverão permanecer no local por no mínimo 21 dias. O governo australiano ainda não definiu os procedimentos após esse período. 

Não há vacina nem tratamento específico para o hantavírus, que pode causar síndrome respiratória aguda. A cepa envolvida no surto, o hantavírus Andes, é rara, tem transmissão limitada entre humanos e, até então, estava restrita a áreas rurais da Argentina e do Chile. O período de incubação pode chegar a seis semanas, e a transmissão ocorre após contato próximo e prolongado com pessoas infectadas.

Em entrevista ao jornal Le Monde, o virologista Gustavo Palacios, professor da Escola de Medicina do Monte Sinai, em Nova York, afirmou que o vírus apresenta baixo potencial de transmissão. Segundo ele, medidas como distanciamento, identificação de doentes e rastreamento de contatos tendem a ser suficientes, sem a necessidade de quarentenas generalizadas.

Palacios destacou ainda que, diferentemente da Covid-19 ou da gripe, a comunidade científica dispõe de menos dados e recursos para o estudo desse tipo de vírus.

Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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