Script = https://s1.trrsf.com/update-1784747113/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As Principais Notícias da Europa

Publicidade

'Nuvem de fogo': entenda o fenômeno raro que acelerou a propagação dos incêndios em Bordeaux

O incêndio que atinge a Gironda (sudoeste) gerou na sexta-feira (24) um pirocumulonimbus, nuvem rara formada pelo calor extremo das chamas e capaz de criar novos focos ao lançar brasas à distância. Segundo autoridades locais, trata-se de um fenômeno nunca antes registrado na França. A formação ocorreu enquanto o fogo iniciado no dia 22 já havia destruído 19 mil hectares e avançava sobre a floresta, alimentado pela seca, pela baixa umidade e por ventos irregulares que aceleraram a propagação.

27 jul 2026 - 11h28
(atualizado às 11h33)
Compartilhar
Exibir comentários

Autoridades francesas confirmaram que, por volta das 18h20 (13h20 de Brasília) de sexta-feira, o incêndio na região de Bordeaux evoluiu para um pirocumulonimbus, estrutura atmosférica associada a incêndios de grande escala. O diretor do serviço departamental de bombeiros, Marc Vermeulen, afirmou que o fenômeno nunca havia sido observado na França e descreveu a formação como uma "tempestade de fogo", referência ao formato da nuvem e ao comportamento extremo que ela provoca.

O pirocumulonimbus se formou enquanto o fogo avançava a partir de Saumos, no Médoc (sudoeste), onde começou em 22 de julho. Naquele momento, 19 mil hectares já haviam sido destruídos. No dia seguinte, o total queimado chegou a 32.500 hectares, segundo autoridades locais.

A nuvem surgiu porque o calor intenso do incêndio impulsionou fumaça, cinzas e vapor d'água para altitudes elevadas, onde a umidade condensou e formou uma estrutura semelhante às nuvens de tempestade.

Vermeulen explicou ao site de Franceinfo que esse tipo de formação pode gerar raios secos antes mesmo de se consolidar, além de provocar "ataques de brasas", quando fragmentos incandescentes são lançados à distância e iniciam novos focos. O fenômeno é particularmente difícil de localizar e sua velocidade de deslocamento é imprevisível, o que aumenta o risco para moradores e equipes de combate.

Um pirocumulonimbus, uma nuvem gigante formada por um grande incêndio florestal na região de Lège-Cap-Ferret, no oeste da França, na quinta-feira, 23 de julho de 2026.
Um pirocumulonimbus, uma nuvem gigante formada por um grande incêndio florestal na região de Lège-Cap-Ferret, no oeste da França, na quinta-feira, 23 de julho de 2026.
Foto: RFI

Incêndio cria sua própria "meteorologia" 

A agência meteorológica Météo-France afirmou que o incêndio na Gironda, onde fica Bordeaux, apresentava características convectivas, ou seja, por horas se alimentou sozinho, gerando seu próprio vento e comportamento errático.

Segundo o órgão, trata-se de "fogo extremo", marcado por condições meteorológicas altamente favoráveis à combustão e à propagação: vegetação excepcionalmente seca, baixa umidade e ventos suficientes para acelerar o avanço das chamas. Essas condições estavam reunidas na floresta das Landes de Gascogne (sudoeste), onde o incêndio se expandiu rapidamente.

O fogo convectivo tem a particularidade de criar "sua própria meteorologia", inclusive seu próprio fluxo de vento, o que faz com que a direção das chamas deixe de seguir o padrão atmosférico geral. A combinação de calor extremo e evaporação da vegetação levou à condensação, que formou o pirocumulonimbus, carregado de fumaça e fuligem.

A presença da nuvem levou autoridades a ampliar rapidamente o perímetro de evacuação, já que o fenômeno não produz chuva, mas tempestades secas capazes de iniciar novos incêndios. Vermeulen afirmou que as brasas lançadas pelo pirocumulonimbus representam risco direto para casas, instalações e moradores.

Durante a madrugada, com o aumento da umidade, a nuvem perdeu força e o incêndio voltou a um comportamento menos extremo, embora ainda intenso. A queda das temperaturas no sábado (25) permitiu aos bombeiros atuar em condições mais favoráveis, mas nenhuma área evacuada foi liberada para retorno. A responsável pela zona de defesa e segurança da região de Gironda, Sophie Borcas, afirmou à Franceinfo que "a ameaça permanece muito séria" e que não há margem para reduzir a vigilância.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra