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Encontro entre Lula e Trump tem agenda espinhosa e deve ter foco pragmático, dizem especialistas

Reunião na Casa Branca deve focar em tarifas, minerais estratégicos e segurança, com ênfase no combate ao crime organizado

7 mai 2026 - 04h59
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Lula e Trump durante reunião na Malásia, em outubro do ano passado. Novo encontro ocorrerá nesta quinta-feira, 7
Lula e Trump durante reunião na Malásia, em outubro do ano passado. Novo encontro ocorrerá nesta quinta-feira, 7
Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta quinta-feira, 7, em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um encontro classificado como “visita de trabalho”. A reunião ocorrerá na Casa Branca e deve girar em torno de temas econômicos e de segurança, em meio a um cenário internacional conturbado e a recentes ruídos diplomáticos entre os dois países.

Lula desembarcou nos EUA acompanhado de cinco ministros, entre eles Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda) e Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública). O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, também participará do encontro na Casa Branca.

Ainda não há detalhes da agenda da reunião, mas os temas das conversas são conhecidos. Do lado norte-americano, o interesse recai sobre a exploração de minerais críticos no Brasil e o fortalecimento da agenda de segurança, com foco no combate ao narcotráfico. Do lado brasileiro, a revisão de tarifas impostas pelo EUA a produtos nacionais.

Para o cientista político Leonardo Paz, o encontro carrega um tom moderadamente otimista, mas com expectativas contidas. Segundo ele, a tendência é de uma agenda pragmática, com poucos anúncios concretos, ainda que haja espaço para avanços técnicos que destravem pendências comerciais e regulatórias entre os países.

“Eu não espero nenhum grande avanço, nenhum grande anúncio de cooperação, coisa parecida, mas eu imagino que existe a possibilidade de ter uma declaração final que indique que os dois [países] estão trabalhando tecnicamente para resolver [pendências]”, afirma Leonardo Paz, que é pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Paz também destaca que temas sensíveis, como disputas comerciais e investigações envolvendo propriedade intelectual e sistemas de pagamento como o Pix, devem ser tratados em nível técnico. Esse caminho, segundo ele, tende a reduzir tensões políticas e favorecer soluções mais objetivas dentro da burocracia estatal de ambos os países.

A professora de Relações Internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, avalia que a reunião deve reunir temas estratégicos, mas também complexos, com potencial de divergência entre os dois países. Apesar disso, ela considera o encontro importante para restabelecer canais de diálogo em um momento de distanciamento.

“É uma agenda espinhosa, com pouca chance de avanços concretos, mas importante para restabelecer o diálogo”, diz Danilde Holzhacker.

Além das tarifas e dos minerais críticos, a segurança no Brasil será um ponto sensível. Enquanto o Brasil defende cooperação e troca de informações, Trump pode pressionar pela classificação de facções criminosas como organizações terroristas.

“A posição do governo brasileiro é de ampliar a cooperação e troca de informação entre os órgãos de segurança, enquanto o Trump vai defender uma ação de classificação dos grupos de crime como terroristas, o que muda a forma de ação e também o nível de cooperação nessa área”, acrescenta Holzhacker.

Do ponto de vista econômico, o professor da PUC-Rio André Senna Duarte avalia que há espaço para convergência, especialmente na troca de interesses entre minerais estratégicos e tarifas comerciais. Ainda assim, ele descarta avanços mais amplos no curto prazo. 

“Os EUA têm interesse nos minerais raros, insumo estratégico que o Brasil pode aumentar a produção de forma relevante. Por outro lado, o Brasil busca a redução das tarifas de alguns produtos que foram taxados anteriormente como aço e alumínio. Não deverá haver um grande acordo comercial, mas sim ajustes pontuais”, afirma Senna Duarte.

Na mesma linha, o economista Otto Nogami reforça que a estratégia brasileira deve ser pragmática e voltada à redução de atritos. Para ele, o foco está em destravar negociações já iniciadas e avançar em cooperação regulatória, sem expectativa de abertura ampla de mercado.  

“O foco realista não é ‘grande acordo’, mas redução de fricções. O que é factível é a redução pontual de tarifas, especialmente agro e aço, e o avanço em padrões e certificações”.

Embora não esteja formalmente na agenda, a China aparece como pano de fundo estratégico das negociações. Segundo Nogami, o Brasil ocupa hoje uma posição central nas relações comerciais com o país asiático, o que influencia diretamente o interesse norte-americano.

“O Brasil hoje é o principal parceiro comercial da China e relevante para commodities estratégicas. Logo, os EUA podem buscar reduzir dependência [do Brasil] da China e diversificar fornecedores”, sugere Otto Nogami.

Por fim, para Holzhacker, a reunião também carrega um grau de imprevisibilidade, típico da postura de Trump. “Pode ser um encontro positivo ou um embate direto. As duas possibilidades estão na mesa”, enfatiza.

Durigan diz que encontro de Lula e Trump terá em pauta combate ao crime e tarifas:
Fonte: Portal Terra
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