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Milhares protestam na Grécia três anos após acidente ferroviário que matou 57 pessoas

Mais de 65 mil pessoas se manifestaram em toda a Grécia no sábado (28) para homenagear as vítimas do acidente ferroviário fatal de 28 de fevereiro de 2023 e exigir justiça pelas falhas na investigação.

28 fev 2026 - 12h45
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Em Atenas, mais de 40 mil pessoas, segundo a polícia, reuniram-se em frente ao Parlamento gritando "assassinos". O protesto foi marcado por confrontos entre manifestantes, que lançaram coquetéis molotov, e a polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral.

Manifestação em frente ao Parlamento grego, marcando o terceiro aniversário do acidente ferroviário de Tempe, que matou 57 pessoas em 2023, em Atenas, em 28 de fevereiro de 2026.
Manifestação em frente ao Parlamento grego, marcando o terceiro aniversário do acidente ferroviário de Tempe, que matou 57 pessoas em 2023, em Atenas, em 28 de fevereiro de 2026.
Foto: AFP - AGGELOS NAKKAS / RFI

"Justiça para os mortos!", gritou Pavlos Aslanidis, presidente da Associação das Famílias das Vítimas, diante da multidão, após um minuto de silêncio em memória das 57 pessoas mortas no acidente ferroviário. "Diante da tentativa de encobrir" responsabilidades, "permanecemos unidos e determinados a não recuar até que a verdade finalmente venha à tona", acrescentou.

Das ilhas de Creta a Corfu, dezenas de manifestações ocorreram para homenagear as vítimas do acidente ferroviário mais mortal da história da Grécia. Nenhum trem ou ferry circulou no sábado.

Em Tessalônica, a segunda maior cidade do país, cerca de 25 mil pessoas participaram de manifestações, segundo a polícia.

No local do acidente, perto de Tempe, familiares das vítimas, em lágrimas, depositaram coroas de flores brancas ao lado dos trilhos.

"A nossa geração foi ferida", disse Fani Christani, estudante de educação que participou do protesto em Tessalônica, referindo-se ao desastre que matou muitos estudantes que voltavam das festas de Carnaval. "A justiça ainda não foi feita e os responsáveis continuam livres", lamentou Lydia Pagkali, uma manifestante de 28 anos entrevistada pela AFP em Atenas. "Ainda não nos sentimos seguros quando pegamos o trem ou o metrô", acrescentou.

O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, duramente criticado na época por sua gestão do acidente, reconheceu no sábado as "falhas e erros" do Estado. O líder conservador também exigiu que "a responsabilidade pela tragédia seja apurada rigorosamente, mas também de forma imparcial".

"Além da dor de perder nossos entes queridos, existe esse sentimento de humilhação, desprezo e o medo de que esse crime, como outros, seja acobertado", disse Maria Karystianou, mãe de uma das vítimas.

Em 28 de fevereiro de 2023, às 23h22 (horário local, 18h22 em Brasília), no Vale do Tempe, um trem de carga colidiu frontalmente com outro que transportava cerca de 350 pessoas de Atenas para Tessalônica, no norte da Grécia.

Falhas no sistema ferroviário

O impacto foi imenso e imediatamente surgiram questionamentos: os dois trens puderam circular no mesmo trilho por mais de dez minutos sem que nenhum sistema de alarme fosse acionado.

Os gregos descobriram então graves falhas de segurança na rede ferroviária do país, comprometida por anos de má gestão e por sistemas de sinalização obsoletos.

A modernização está atrasada há vários anos, apesar da alocação de fundos europeus substanciais e dos alertas de sindicatos.

Há três anos, os gregos exigem que líderes políticos, acusados de negligência e de ocultar responsabilidades, prestem contas.

A chefe da Procuradoria Europeia, Laura Kövesi, afirmou que a colisão poderia ter sido evitada se o sistema de sinalização tivesse sido modernizado a tempo com fundos da União Europeia.

O escândalo foi agravado por um fiasco judicial. Dois ex-membros do governo Mitsotakis estão sendo processados, mas nenhum deles compareceu ao tribunal até o momento.

Evidências importantes também foram perdidas quando, poucos dias após a colisão, o local do acidente foi demolido.

Pais de vítimas também exigiram novas análises periciais para determinar se seus filhos morreram devido à colisão ou ao incêndio que se seguiu.

Cerca de quarenta pessoas, incluindo o chefe da estação que estava de plantão naquela noite, devem ir a julgamento a partir de 23 de março.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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