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Macron recebe Zelensky em Paris em semana decisiva para Ucrânia e Europa

O presidente francês, Emmanuel Macron, recebe nesta segunda-feira (1º), em Paris, o chefe de Estado ucraniano, Volodymyr Zelensky, para discutir os avanços das negociações em torno do plano de paz proposto por Donald Trump. Zelensky enviou uma delegação ucraniana aos Estados Unidos no fim de semana para abordar a questão com o governo americano.

1 dez 2025 - 07h21
(atualizado às 07h54)
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Segundo o Palácio do Eliseu, os dois dirigentes discutem a situação e as condições para uma paz justa e duradoura, "dando continuidade às conversas de Genebra e ao plano americano, além de uma estreita concertação com parceiros europeus". Eles também farão um balanço "do trabalho em andamento sobre as garantias de segurança no âmbito da coalizão dos voluntários", acrescenta o comunicado. A reunião começou por volta de 11h em horário local.

O presidente francês Emmanuel Macron cumprimenta Zelensky na sua chegada ao Palácio do Eliseu, em Paris.
O presidente francês Emmanuel Macron cumprimenta Zelensky na sua chegada ao Palácio do Eliseu, em Paris.
Foto: AFP - STEPHANE DE SAKUTIN / RFI

As negociações para alcançar a paz na Ucrânia "não acontecerão sem os europeus", garantiu nesta segunda-feira o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, que destacou que a visita de Zelensky a Paris "não é por acaso".

"Não poupamos esforços para que tudo seja feito no interesse da paz para a Ucrânia e da segurança para a Europa", disse à rádio France Culture. Segundo ele, o plano de 28 pontos apresentado recentemente pelos Estados Unidos foi modificado.

"Obtivemos, por um lado, que tudo o que diz respeito aos europeus fosse retirado, e conseguimos, por outro lado, que os Estados Unidos, pela primeira vez, expressassem claramente sua intenção de trabalhar conosco na preparação do que chamamos de garantias de segurança. Ou seja, os elementos militares que permitirão, uma vez alcançada a paz, evitar qualquer nova agressão contra a Ucrânia", insistiu.

A Rússia busca restringir as capacidades do Exército ucraniano, mas os europeus pretendem apoiar uma força ucraniana "robusta" após a paz.

O ministro francês também destacou o caráter "inédito na história europeia" da iniciativa pró-Ucrânia desde o fim da Segunda Guerra Mundial: 35 países reunidos, dentro de uma coalizão chamada "dos voluntários", "para oferecer uma resposta comum fora da Otan a uma questão de segurança".

'Semana crucial'

A semana que começa promete ser "crucial" para a Ucrânia, afirmou nesta segunda a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, antes do início de uma reunião dos ministros da Defesa da UE em Bruxelas.

"Pode ser uma semana crucial para a diplomacia", declarou à imprensa. "Ouvimos ontem que as discussões na América foram difíceis, mas produtivas. Ainda não conhecemos os resultados, mas hoje falarei com o ministro da Defesa da Ucrânia, bem como com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia", acrescentou.

Volodymyr Zelensky está sob forte pressão para assinar um acordo que encerre o conflito, enquanto enfrenta um grave escândalo de corrupção na Ucrânia. Os Estados Unidos apresentaram há dez dias um projeto de 28 pontos, elaborado sem a participação dos aliados europeus de Kiev, com o objetivo de pôr fim ao conflito desencadeado pela ofensiva russa contra a Ucrânia em fevereiro de 2022.

O documento, favorável a Moscou, previa que as forças ucranianas se retirassem da região oriental de Donetsk. Os Estados Unidos reconheceriam de fato Donetsk - ainda sob controle parcial de Moscou -, a Crimeia e a região de Lugansk como russas.

Após reuniões em Genebra, a proposta foi alterada a pedido dos europeus, mas seu conteúdo ainda permanece vago. Donald Trump afirmou no domingo que havia "boas chances" de um acordo para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia, após negociações entre Washington e Kiev. Mas o secretário de Estado americano Marco Rubio mostrou-se bem mais prudente. "Ainda há trabalho a fazer", alertou após o encontro.

O presidente americano demonstrou otimismo. "Acho que a Rússia gostaria que isso terminasse, e sei que a Ucrânia gostaria que isso terminasse", declarou Trump. Ele também lembrou que Kiev não está "em posição de força", devido ao escândalo de corrupção que levou Zelensky a demitir seu braço direito, Andriy Iermak, líder das negociações com os Estados Unidos. "A Ucrânia tem alguns probleminhas difíceis", avaliou Trump.

O emissário de Donald Trump, Steve Witkoff, que participou das discussões na Flórida, assim como o genro do presidente, Jared Kushner, se reunirá com o presidente russo, Vladimir Putin, na tarde de terça-feira, em Moscou. O negociador ucraniano, Rustem Oumerov, afirmou que houve "progressos substanciais".

Imprensa francesa vê momento de fragilidade

A visita do presidente ucraniano a Paris visa recuperar seu protagonismo no plano de paz lançado pelos Estados Unidos, analisa a imprensa francesa. Enfraquecido pela demissão de seu braço direito, Zelensky busca apoio europeu.

Zelensky e Macron devem discutir "garantias de segurança" a Kiev, por meio do chamado grupo de voluntários — países que apoiam a Ucrânia na guerra contra a Rússia. O Libération vê a reunião como uma preparação para o encontro previsto no Kremlin entre Putin e Witkoff.

Já o Le Monde avalia que o afastamento do braço direito de Zelensky da equipe presidencial em Kiev é uma tentativa do país de "se livrar de um sistema apontado como corrupto e recuperar a confiança interna".

Para o Le Figaro, ao optar por negociar com Vladimir Putin um plano de paz "que atende aos interesses do Kremlin e da Casa Branca", Trump deixa os países europeus à margem.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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