Louvre retoma greve e está parcialmente fechado; ingresso custa mais caro a partir do dia 14
Os funcionários do Museu do Louvre, em Paris, votaram por unanimidade a retomada da greve na manhã desta segunda-feira (5), em protesto contra as condições de trabalho no museu mais visitado do mundo. Segundo a direção do Louvre, o estabelecimento permanecerá "parcialmente aberto, com o "percurso obras-primas'", que inclui a Mona Lisa, a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia acessível.
De acordo com Valérie Baud, representante do sindicato CFDT (Confederação Francesa Democrática do Trabalho, a decisão foi tomada durante assembleia geral convocada pelos principais sindicatos do museu. Cerca de 350 funcionários de diferentes setores, como administração, conservação e funções de apoio, aprovaram a retomada do movimento iniciado antes das festas de fim de ano.
"Voto unânime em assembleia para a retomada da greve. A luta continua em 2026", publicou a CGT (Confederação Geral do Trabalho), outra organização sindical, em sua conta oficial no Instagram. A greve, iniciada em 15 de dezembro, havia sido suspensa no dia 19, mas a intersindical convocou os funcionários nesta segunda para votar uma nova paralisação, diante da falta "de avanços suficientes" nas negociações com o Ministério da Cultura francês.
Os funcionários protestam contra a falta de pessoal, especialmente para vigilância das salas e o aumento do preço dos ingressos para visitantes não europeus (fora da UE e do EEE — que inclui Islândia, Liechtenstein e Noruega), que passará de €22 (cerca de R$118,80) para €32 (R$172,80). A medida entra em vigor em 14 de janeiro e não vale para menores de 18 anos.
Os trabalhadores do museu também denunciam a deterioração do prédio, evidenciada pelo roubo espetacular de oito joias da Coroa francesa em 19 de outubro. O valor estimado das perdas é de €88 milhões, e as joias continuam desaparecidas.
O Ministério da Cultura prometeu cancelar um corte de €5,7 milhões nas verbas públicas destinadas ao Louvre, além de realizar contratações e reajustes, considerados ainda insuficientes pelos sindicatos.
Recorde de visitantes
Apesar dos problemas, o Museu do Louvre recebeu 9 milhões de visitantes em 2025, uma leve alta em relação a 2024 (8,7 milhões). O dado foi divulgado nesta segunda-feira pela instituição. O maior e mais visitado museu do mundo havia registrado uma pequena queda de público no verão de 2024, devido aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Um ano depois, recuperou e até superou o nível de 2023, que foi de 8,9 milhões de visitantes.
Em 2025, o Louvre recebeu "27% de visitantes franceses" e "73% estrangeiros", contra 77% em 2024. Cerca de 40% dos visitantes estrangeiros vieram de países fora do Espaço Econômico Europeu, informou a instituição.
Além disso, 44% dos visitantes tinham menos de 26 anos, e 30% tiveram entrada gratuita em 2025, cerca de 3 milhões de pessoas. Entre as exposições mais bem-sucedidas do ano passado está "Louvre Couture. Objetos de arte, objetos de moda", que atraiu pouco mais de 1 milhão de visitantes entre 24 de janeiro e 24 de agosto, segundo o museu.
Com agências