Ilhas Malvinas, o lugar onde Thatcher é mais querida
Em nenhum outro território britânico Margaret Thatcher é tão querida como nas Malvinas, onde seus habitantes lamentam a morte da ex-primeira-ministra e admitem que, sem a ajuda dela, as ilhas hoje seriam um lugar diferente.
Para os malvinenses, Thatcher foi a heroína que os "libertou" da invasão argentina em 1982, quando o país enviou seu exército para recuperar as ilhas, o que selou o futuro dos habitantes locais e o destino político das Malvinas, assim como a reputação da "Dama de Ferro", que venceu os argentinos e manteve a posse do território.
Por isso, na próxima quarta-feira, dia do funeral de Thatcher em Londres, os malvinenses se reunirão na catedral de Christ Church, na capital Port Stanley, para homenageá-la com uma missa.
"Sem sua convicção de que estava agindo corretamente ao enviar tropas para libertar as ilhas, mesmo contra a opinião de seus assessores, talvez nosso futuro tivesse sido muito diferente", disse à Agência Efe o representante das Malvinas em Londres, Sukey Cameron.
Os insulanos têm muito apreço pela ex-líder conservadora, e uma das principais ruas de Port Stanley possui o seu nome, "Thatcher Drive". Além disso, 10 de janeiro é oficialmente o "Dia de Margaret Thatcher", apesar de não ser feriado.
Essa data foi escolhida porque foi nesse dia, em 1983, que Thatcher visitou as Malvinas pela primeira vez, após ter saído vitoriosa - em 14 de junho de 1982 - de uma disputa militar que deixou 255 soldados britânicos e 650 argentinos mortos.
Nessa visita, foi concedida a condecoração de "Liberdade das ilhas Falklands" (nome dado às Malvinas pelos britânicos). Em 1992, Thatcher visitou as ilhas novamente, para comemorar os dez anos da vitória no conflito bélico contra a Argentina.
A guerra do Atlântico Sul, contra a Argentina, foi um dos eventos mais importantes de sua gestão, já que fez com que fosse eleita para seu segundo mandato em 1983.
Segundo Sukey Cameron, após deixar o governo, Margaret Thatcher continuou muito interessada no futuro das ilhas, e especialmente nos jovens malvinenses.
"Thatcher queria que as ilhas tivessem um futuro garantido e o governo britânico facilitou o investimento inicial e forneceu assistência para empreender um amplo programa de desenvolvimento", ressaltou ele.
Esse programa permitiu o estabelecimento de uma zona pesqueira nas ilhas, em 1986, para conceder licenças e receita para que o arquipélago pudesse ser economicamente autossuficiente.
"Eu a via regularmente e ela estava particularmente interessada em saber como estavam os jovens e também qual era a situação daqueles que tinham vindo estudar no Reino Unido", acrescentou Cameron.
O responsável pela companhia International Tours & Travel das ilhas, Sally Ellis, também acredita que o arquipélago não seria o que é hoje, sob soberania britânica, sem a intervenção de Thatcher.
"Margaret Thatcher sempre será muito admirada por sua forte postura durante a situação das Falklands em 1982", disse à Efe a malvinense que estudou em um colégio de Córdoba, na Argentina.
"Se ela não tivesse agido de maneira decisiva como fez, estaríamos levando uma vida muito diferente", afirmou Sally.
Tanta admiração dos habitantes das Malvinas por Thatcher levou a imprensa britânica a levantar a hipótese de que o nome de Port Stanley possa ser mudado para de Port Margaret, o que foi descartado segundo Sally.
O legado das Malvinas estará muito presente no funeral de Thatcher - que acontecerá na catedral de Saint Paul, em Londres - pois ela receberá honras militares dos regimentos que lutaram na guerra do Atlântico Sul, e especialmente dos Guardas Galeses, que perderam o maior número de soldados durante o conflito.