Lula critica Trump e diz que presidente dos EUA quer governar o mundo pelo Twitter
Presidente fez crítica ao uso de celulares e disse que não é possível tratar o povo com respeito se não olhar na cara das pessoas
Lula criticou o uso excessivo de redes sociais por Trump na governança, questionando o respeito ao povo, e comentou tensões diplomáticas sobre a Groenlândia e um convite ao Brasil para integrar o "Conselho de Paz" liderado pelos EUA.
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou nesta terça-feira, 20, a forma como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, governa, com amplo uso das redes sociais. Em seu primeiro mandato, Trump usava o então Twitter (hoje X, depois de ser comprado pelo empresário Elon Musk) para anúncios e comentários. Depois de ser banido da rede, passou a usar a Truth Social, rede social dele próprio.
"Vocês já perceberam uma coisa, que o presidente Trump quer governar o mundo pelo Twitter? É fantástico. Todo dia ele fala uma coisa e todo dia o mundo fala da coisa que ele falou. Vocês acham que é possível? É possível tratar o povo com respeito se eu não olhar na cara de vocês, se eu achar que vocês são objetos, e não um ser humano?", questionou Lula.
A declaração ocorreu em discurso durante evento em Rio Grande (RS), na entrega de unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida, quando criticou o uso intenso de celulares durante reuniões. A crítica é recorrente em seus discursos e no dia a dia no Palácio do Planalto.
"Todo deputado é viciado nisso (celular). Estava esperando se ia ter alguém com o celular, porque eu ia comer o fígado aqui. Na minha sala é proibido entrar com celular, no gabinete é proibido. Às vezes, você está falando e fica olhando e as pessoas estão (olhando para o celular), não estão na reunião", disse.
Nas mais recentes postagens na rede social, nesta terça, Trump publicou duas imagens geradas por inteligência artificial (IA), em que Venezuela, Groenlândia e Canadá aparecem como territórios americanos. As publicações repercutiram em todo o mundo.
Em uma das imagens, Trump aparece, ao lado do vice-presidente JD Vance e do secretário de Estado Marco Rubio, cravando a bandeira dos Estados Unidos em uma região de montanhas com a legenda "Groenlândia, Território dos EUA, Est. 2026".
Na segunda imagem, o presidente americano aparece cercado por líderes europeus no Salão Oval, com um mapa gerado por IA no qual aparecem Canadá, Groenlândia e Venezuela como território dos Estados Unidos.
Trump pressiona para tornar a Groenlândia, pertencente à Dinamarca, território dos EUA. A investida ampliou a tensão entre o país e a União Europeia.
Em dezembro, à TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo, em Fortaleza, afirmou que existem duas versões de Trump, a da TV e a da vida real. "Eu posso dizer que, toda vez que eu converso com o Trump, eu me surpreendo. Porque, muitas vezes, você vê o Trump na televisão, muito nervoso. Na conversa pessoal, ele é outra pessoa. Eu fiz questão de dizer para ele, temos dois Trump: o da televisão e o da conversa pessoal."
Apesar das reuniões recentes com Trump, que aproximaram os dois países, Lula está numa "encruzilhada" para definir se aceita ou não o convite do americano para o "Conselho de Paz" para a Faixa de Gaza, como mostrou o Estadão. O presidente ainda analisa o impacto político e diplomático da eventual entrada do Brasil no colegiado. Há no Planalto o receio de que a iniciativa seja algo apenas midiático, "para inglês ver".
