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Em Davos, Macron alerta contra a 'lei do mais forte' e critica tarifas dos EUA

Ao discursar na 56ª edição do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20), o presidente francês Emmanuel Macron destacou a importância da cooperação global e criticou a "lei do mais forte" no cenário internacional. Usando óculos escuros por conta de uma "condição ocular", ele defendeu o multilateralismo e prometeu ficar ao lado da Dinamarca, "como se espera de um aliado".

20 jan 2026 - 14h31
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Em 2026, o Fórum Econômico Mundial tem como tema central "o espírito de diálogo", em um contexto de fortes tensões geopolíticas e econômicas, alimentadas em parte pelo presidente norte‑americano, Donald Trump, que retorna ao evento na quarta-feira (21).

Emmanuel Macron na tribuna do Fórum Econômico Mundial em Davos, 20 de janeiro de 2026.
Emmanuel Macron na tribuna do Fórum Econômico Mundial em Davos, 20 de janeiro de 2026.
Foto: AFP - LUDOVIC MARIN / RFI

Em seu discurso, Macron descreveu que o mundo está entrando em um período de instabilidade e desequilíbrios do ponto de vista da segurança e da economia. Frente às ameaças dos Estados Unidos, o presidente francês denunciou uma "deriva para a autocracia e aumento da violência", segundo a qual os "conflitos se tornaram a norma".

Emmanuel Macron pediu a rejeição da máxima "a força faz o direito", afirmando preferir "o respeito em vez dos valentões" e "o Estado de Direito em vez da brutalidade".

Macron disse que "não é momento para imperialismos e colonialismos". "A Europa pode ser lenta, mas somos previsíveis e temos regras da lei, o que é uma vantagem nos dias atuais", completou Macron.

O presidente francês denunciou as tarifas norte-americanas como ainda mais "inaceitáveis" por serem utilizadas como "meio de exercer pressão contra a soberania territorial".

"Sem governança coletiva, a cooperação cede espaço a uma concorrência desenfreada. A concorrência dos Estados Unidos ocorre através de medidas comerciais que prejudicam os nossos interesses de exportação e demandam concessões. E que estão frontalmente direcionadas a enfraquecer e subordinar a Europa. Soma-se a isso, a acumulação de novas tarifas, o que é inaceitável", declarou.

Macron disse em Davos que é chegada a hora de "avançar com o princípio da preferência europeia". O presidente francês ainda criticou o desrespeito às regras internacionais.

"Entramos em um mundo sem lei, onde o direito internacional é desrespeitado, pisoteado, onde as únicas leis que parecem importar são as do mais forte ou as ambições imperialistas que retornam", denunciou Macron.

Novas tarifas

Donald Trump anunciou, nesta terça-feira, uma reunião sobre a Groenlândia com "diversas partes" à margem do Fórum Econômico de Davos.

Na segunda-feira (19), antes de partir para a Suíça, o presidente dos EUA ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, em resposta à recusa de Emmanuel Macron em participar de seu "Conselho da Paz".

Paris foi o primeiro país de peso internacional a dizer claramente "não" ao convite norte-americano para um conselho que se assemelha a um substituto da ONU, mas inteiramente sob o controle de Donald Trump.

Em uma mensagem privada que não deveria ter sido divulgada publicamente, mas foi revelada nesta terça-feira pelo presidente norte-americano, Emmanuel Macron chegou a propor a Donald Trump uma cúpula do G7 em Paris. Na mensagem, Macron afirma não entender o que os Estados Unidos pretendem no caso da Groenlândia.

"Estamos completamente alinhados em relação à Síria. Podemos fazer grandes coisas no Irã. Não entendo o que vocês estão fazendo na Groenlândia", escreveu o presidente francês.

A resposta do líder norte-americano não foi divulgada, e o Kremlin afirmou não ter recebido nenhum convite. Essa cúpula do G7 não está "planejada", disse Emmanuel Macron à AFP em Davos, confirmando sua "disponibilidade" para sediá-la, mesmo estando previsto que participe de uma cúpula europeia em Bruxelas na noite de quinta-feira (22), dedicada justamente a responder aos Estados Unidos.

Donald Trump continua sendo um aliado? "Isso cabe a ele responder", declarou Emmanuel Macron em Davos, antes de acrescentar: "Os comportamentos que acompanham esse status não são exatamente o que se esperaria".

Em Paris, o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que a França não cederá "a nenhuma chantagem" e "jamais se submeterá".

A União Europeia (UE), por sua vez, considera a aplicação de tarifas sobre produtos norte-americanos no valor de 93 bilhões de euros a partir de 6 de fevereiro, e até mesmo a ativação de seu instrumento anticoerção (ACI), em resposta às ameaças de Donald Trump relacionadas à Groenlândia.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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