Pai pedófilo é acusado de estuprar crianças e filmar os crimes na França; 34 vítimas foram identificadas
Um caso de abuso sexual infantil de grandes proporções vem causando comoção e choque na França. O homem, de cerca de 40 anos, acusado de estuprar e abusar sexualmente de ao menos 34 crianças na região do Ródano-Alpes, no sudeste do país, está em prisão preventiva. Ele já havia sido indiciado em 2025 por estupro de meninos e voltou a ser acusado em abril, após a descoberta de novos crimes, confirmou a Procuradoria de Villefranche-sur-Saône na quarta-feira (29), como revelou o jornal Le Monde.
As vítimas são exclusivamente meninos, com idades entre 2 e 9 anos à época dos crimes, ocorridos entre 2020 e 2024, na pequena cidade de Lucenay, no coração da região vinícola do Beaujolais, a cerca de 30 quilômetros ao norte de Lyon. Os abusos teriam ocorrido principalmente durante festas de aniversário e festas do pijama organizadas na casa do suspeito, segundo o Le Monde.
O acusado, pai de dois filhos, já era conhecido da Justiça. Em janeiro de 2025, ele foi formalmente indiciado por estupro de crianças na mesma região. Preso no mês seguinte, permaneceu sob custódia judicial. A identificação de novas vítimas levou, em abril, a um novo indiciamento, desta vez por estupro e abuso sexual de menores de 15 anos, além de posse e produção de material pornográfico envolvendo crianças, informou à AFP a promotora Laetitia Francart.
Vídeos e fotos das vítimas
A investigação revelou um modo de agir sistemático. O suspeito registrava os abusos em vídeo e fotografia — em alguns casos enquanto as crianças estavam acordadas, em outros enquanto dormiam. Foram encontrados 127 vídeos e 197 fotos de conteúdo criminoso. As gravações eram feitas com o próprio celular do acusado ou por meio de uma pequena câmera escondida em um despertador.
As vítimas foram filmadas nuas, algumas delas agredidas sexualmente, sobretudo no banho. Outras teriam sido estupradas à noite enquanto dormiam, em estado de inconsciência, o que levou familiares a questionar a possível utilização de coerção química.
Até o momento, 34 vítimas foram formalmente identificadas. Segundo a promotoria, nem todas sofreram os mesmos tipos de violência. As crianças frequentavam a mesma escola que os filhos do acusado, da educação infantil aos primeiros anos do ensino fundamental — fator que aprofundou o choque e a indignação na sociedade francesa.
Diante da gravidade do caso, uma unidade de escuta e apoio psicológico foi instalada na escola em março de 2025. Todas as famílias foram contatadas, e, segundo a promotoria, uma reunião com os pais será organizada nas próximas semanas.
Recorrência
O caso veio a público no fim de 2024, quando algumas vítimas começaram a relatar os abusos aos pais. Três famílias registraram queixa, o que levou à prisão do suspeito em dezembro daquele ano. Após a detenção, ele foi internado involuntariamente em um hospital psiquiátrico, segundo a promotoria.
Ao retornar para casa, o acusado escreveu uma carta à família expressando intenções suicidas. Ele chegou a tentar tirar a própria vida, mas foi localizado pela polícia. Durante os interrogatórios, confessou a maioria das acusações, de acordo com o Ministério Público.
"Acho que nasci assim, não escolhi amar meninos… Meninos que eram muito jovens. Eu me odiava por isso, mas não tinha forças para falar sobre o assunto", escreveu o acusado em uma carta citada pelo jornal Le Monde.
A prisão preventiva foi mantida, e a investigação judicial segue em andamento para esclarecer com precisão as circunstâncias dos crimes. O caso, amplamente repercutido pela imprensa francesa, provocou um profundo abalo na opinião pública e reacendeu debates sobre a proteção de crianças, falhas na identificação precoce de abusos e a vigilância em ambientes considerados seguros.
Autoridades e especialistas classificam o episódio como um dos mais perturbadores dos últimos anos na França, tanto pelo número de vítimas quanto pelo contexto de confiança em que os crimes ocorreram — no seio familiar e no ambiente escolar.
Com agências
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