Primeiro‑ministro britânico Keir Starmer escapa de investigação parlamentar sobre caso Mandelson
Os parlamentares britânicos votaram nesta terça-feira (28) contra a abertura de um inquérito parlamentar para investigar o primeiro-ministro Keir Starmer e apurar se ele mentiu ao Parlamento ao tratar da nomeação de Peter Mandelson, aliado político, para o cargo de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.
Na Câmara dos Comuns, a moção foi rejeitada por 335 votos a 223. O texto pedia que uma comissão parlamentar investigasse possíveis declarações enganosas feitas por Keir Starmer em respostas a perguntas sobre a indicação de Mandelson ao posto diplomático.
A abertura do inquérito poderia ter levado à renúncia do primeiro-ministro, caso fosse comprovado que ele mentiu deliberadamente ao Parlamento.
Starmer afirmou não ter tido conhecimento dos laços estreitos entre Peter Mandelson, de 72 anos, e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein quando decidiu nomeá-lo embaixador nos Estados Unidos, em dezembro de 2024. Mandelson acabou demitido do cargo em setembro passado, após a divulgação dessas ligações.
O primeiro-ministro declarou ainda que só foi informado neste mês de que Mandelson havia sido reprovado em uma verificação de antecedentes justamente em razão de sua relação com Epstein. Após a exoneração, Starmer assegurou ao Parlamento que os procedimentos adequados haviam sido seguidos na nomeação, que deveria entrar em vigor em fevereiro de 2025.
Pedidos de renúncia
Durante meses, Keir Starmer resistiu a pedidos de renúncia, afirmando ser vítima de "mentiras" de Peter Mandelson. O caso provocou críticas inclusive dentro do Partido Trabalhista, ao qual o primeiro-ministro pertence. Starmer também alegou que funcionários públicos ocultaram informações relacionadas à checagem de antecedentes do ex-embaixador.
Em discurso na Câmara dos Comuns na semana passada, o premiê criticou integrantes do Ministério das Relações Exteriores e afirmou que não teria nomeado Mandelson se tivesse conhecimento de seu histórico.
O caso Mandelson ressurgiu em meados de abril. De acordo com informações reveladas pelo jornal The Guardian em 16 de abril e posteriormente confirmadas pelo governo, o Ministério das Relações Exteriores concedeu a Peter Mandelson uma autorização de segurança para o cargo de embaixador em janeiro de 2025, apesar de um parecer desfavorável do departamento responsável por sua avaliação.
O pedido de abertura do inquérito foi apresentado por Kemi Badenoch, líder da oposição conservadora, e classificado por Starmer como uma manobra política às vésperas das eleições locais previstas para maio.
O primeiro-ministro orientou os deputados trabalhistas a votar contra a investigação, o que contribuiu para a ampla rejeição da moção. Kemi Badenoch afirmou que a instrução evidenciava a fragilidade da liderança de Keir Starmer.
Com AFP
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