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Governo iraniano apresenta condições para fim da guerra e recusa negociar diretamente com EUA

Secretário de Defesa americano afirmou que o bloqueio a navios e portos iranianos continuaria pelo tempo que for necessário

25 abr 2026 - 12h44
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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se neste sábado, 25, com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, em Islamabad, para apresentar formalmente as condições de Teerã visando o fim da guerra na região. O chanceler iraniano reforçou, em comunicado no Telegram, a posição de que não haverá reuniões diretas com os representantes dos Estados Unidos nesta etapa e que as observações e exigências iranianas serão transmitidas exclusivamente ao governo paquistanês, que atua como mediador do diálogo.

Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã
Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã
Foto: Elif Ozturk/Anadolu via Getty Images / Elif Ozturk/Anadolu via Getty Images

Araghchi deve entregar uma resposta por escrito à proposta de paz americana, enquanto a diplomacia iraniana em Islamabad já sinalizou, segundo fontes ouvidas pela Reuters, que não aceitará "demandas maximalistas" na mesa de negociações.

A delegação dos EUA, liderada por Steve Witkoff e Jared Kushner, desembarca neste sábado, 25, na capital paquistanesa para ouvir os termos encaminhados pelo mediador. O porta-voz da chancelaria do Irã, Esmail Baqaei, enfatizou nas redes sociais que "nenhum encontro está previsto entre representantes do Irã e dos EUA", desmentindo rumores anteriores de uma conversa presencial entre Araghchi e os enviados de Donald Trump.

Do lado americano, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que Teerã possui uma "janela aberta" para um acordo favorável, desde que comprove o abandono de seu programa de armas nucleares de forma verificável.

Hegseth acrescentou que o bloqueio americano a navios e portos iranianos continuaria "pelo tempo que for necessário" para que Teerã concordasse com um acordo. "O Irã sabe que ainda tem uma janela de oportunidade para fazer uma escolha sábia na mesa de negociações", disse a repórteres no Pentágono.

Apesar do otimismo demonstrado publicamente pela Casa Branca, o cenário interno em Washington é de cautela, evidenciado pela ausência do vice-presidente JD Vance nesta missão, o que confere um caráter mais exploratório às conversas conduzidas por Kushner e Witkoff.

Araghchi aproveitou a agenda em Islamabad para agradecer os esforços do governo paquistanês na busca por um cessar-fogo e criticar o que classificou como agressões repetidas contra a soberania do Líbano e da Palestina. Após concluir esta fase de consultas no Paquistão, o chanceler iraniano seguirá viagem para Omã e Moscou para dar continuidade à articulação diplomática.

No contexto do conflito no Irã muitos pontos de atrito permanecem, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz; o destino do urânio iraniano altamente enriquecido; e a exigência de Teerã de que cerca de US$ 27 bilhões em ativos congelados mantidos no exterior sejam liberados.

Os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo há mais de duas semanas. Mesmo assim, as tensões permanecem elevadas no estreito e em seus arredores, uma via crucial para o petróleo bruto e o gás natural do Golfo Pérsico.

Na terça-feira, Trump afirmou que estenderia o cessar-fogo por tempo indeterminado. Mas tanto o Irã quanto os Estados Unidos continuaram a apreender embarcações que, segundo eles, violaram as restrições à navegação na hidrovia.

Na sexta-feira, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou uma série de novas sanções contra 40 empresas de transporte marítimo e embarcações que, segundo o órgão, fazem parte da "frota paralela" de petroleiros do Irã. Também foram impostas sanções à refinaria independente chinesa Hengli, identificada pelo Tesouro como uma das maiores clientes do Irã para petróleo bruto e outros derivados.

Os Estados Unidos e o Irã retomaram as negociações em meio à intensificação dos confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo terrorista apoiado pelo Irã, no Líbano, o que também tensionou o cessar-fogo já em vigor.

Trump anunciou na quinta-feira uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo no Líbano, após receber diplomatas israelenses e libaneses na Casa Branca. O Hezbollah, que não participa das negociações, sinalizou que pretende respeitar o cessar-fogo caso Israel faça o mesmo.

Os ataques entre Israel e o Hezbollah diminuíram drasticamente desde o anúncio do cessar-fogo inicial na semana passada. No entanto, ambos os lados continuaram a trocar tiros, aumentando os temores de que a trégua possa se transformar em uma guerra total.

O conflito atual, que começou no mês passado, já matou cerca de 2.500 pessoas no Líbano, segundo o Ministério da Saúde do país, além de dois civis e 15 soldados em Israel, disseram autoridades.

Os combates começaram quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em apoio ao Irã, desencadeando uma campanha de bombardeio israelense em larga escala e uma invasão terrestre do sul do Líbano. As forças israelenses ainda estão posicionadas em uma vasta área do sul do país, que, segundo autoridades israelenses, pretendem ocupar indefinidamente.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, prometeu continuar demolindo cidades e vilarejos na fronteira, apesar do cessar-fogo. Centenas de milhares de libaneses permanecem deslocados da região, muitos sem saber se ou quando poderão retornar.

Os ataques israelenses desta semana mataram Amal Khalil, repórter do jornal libanês Al-Akhbar, e feriram outra pessoa no sul do Líbano, abalando ainda mais a frágil trégua./ Com informações do The New York Times

Estadão
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