Trump cancela missão diplomática ao Paquistão em meio a tensões com o Irã e minimiza risco de escalada
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter cancelado a viagem de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner ao Paquistão, onde participariam de negociações indiretas com o Irã. A informação foi divulgada neste sábado (25) pela imprensa norte‑americana, após uma delegação oficial iraniana ter deixado Islamabad sem se reunir com representantes dos Estados Unidos, em meio a um impasse diplomático com Washington.
Em declarações à Axios e à Fox News, Trump disse que Teerã pode retomar o contato quando considerar oportuno. "Os iranianos podem nos ligar se quiserem... quando quiserem", afirmou. Segundo o presidente americano, não faria sentido manter o deslocamento diante do atual estágio das conversas. "Não vejo razão para fazê-los enfrentar um voo de 18 horas na situação atual [das negociações]. É muito tempo. Podemos tratar disso facilmente por telefone", declarou a um repórter da Axios, que conversou com ele por telefone.
Trump ressaltou que o cancelamento da viagem não representa uma escalada militar nem uma retomada do conflito. "Não. Não significa isso. Ainda não pensamos nisso", disse, segundo a mesma fonte.
Chanceler iraniano deixa o Paquistão
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, deixou Islamabad após uma visita iniciada na sexta-feira (24). De acordo com a agência oficial IRNA, o chanceler se reuniu com autoridades paquistanesas, entre elas o primeiro‑ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Exército, Asim Munir, para discutir negociações de paz com os Estados Unidos.
Logo no início da visita, porém, Teerã deixou claro que não estavam previstas reuniões diretas com representantes americanos, afirmando que sua posição seria transmitida exclusivamente por meio da mediação do Paquistão.
Na véspera, um porta-voz do Ministério da Defesa do Irã, citado pela agência Isna, acusou Washington de tentar "manter as aparências" e de buscar uma saída para o que chamou de "atoleiro da guerra" no qual os Estados Unidos teriam se envolvido.
Ameaça de retaliação militar
Também neste sábado, o Comando Conjunto das forças armadas do Irã advertiu sobre uma possível resposta militar caso continue o bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos. A liderança militar denunciou atos de "banditismo" e "pirataria" por parte de Washington.
"Se as forças armadas americanas persistirem no bloqueio e em seus atos de banditismo e pirataria na região, devem saber que estão se expondo a uma resposta das poderosas forças armadas iranianas", afirmou o comandante do Khatam al-Anbiya, ligado à Guarda Revolucionária Islâmica, citado pela televisão estatal.
Apelos internos no Irã
Em meio ao contexto de tensões regionais, o presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, fez um apelo à população para que reduza o consumo de energia elétrica. Em pronunciamento na televisão estatal, ele afirmou que, apesar de não haver escassez no momento, Estados Unidos e Israel estariam tentando fomentar o descontentamento interno.
"Estamos fazendo um pedido simples ao nosso querido povo, que está mobilizado no terreno: reduzam seu consumo de eletricidade e energia", declarou.
Retomada de voos
As autoridades iiranianas também informaram a retomada de voos internacionais no Aeroporto Internacional Imam Khomeini, em Teerã. A televisão estatal anunciou que o terminal reabriu neste sábado, com partidas iniciais "graças aos esforços das companhias aéreas nacionais" para destinos como Medina, Mascate e Istambul.
Violência no sul do Líbano
No sul do Líbano, o Ministério da Saúde informou que quatro pessoas morreram em ataques israelenses realizados neste sábado, apesar do frágil cessar-fogo estendido nesta semana no conflito envolvendo Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah.
Segundo o comunicado oficial, dois ataques atingiram um caminhão e uma motocicleta na cidade de Yohmor al-Shaqeef, no distrito de Nabatieh.
Na Europa, o Ministério da Defesa da Alemanha anunciou que um caça-minas alemão será posicionado em breve no Mar Mediterrâneo, com vistas a uma eventual missão no Estreito de Ormuz, após o fim da Guerra do Golfo.
Com AFP
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