Conflito no Oriente Médio domina atos pelo Dia da Libertação na Itália
Brigada Judaica foi retirada de marcha antifascista em Milão
Os conflitos no Oriente Médio dominaram as marchas pelo Dia da Libertação da Itália, data celebrada neste sábado (25) e que marca a derrota do regime nazifascista na Segunda Guerra Mundial.
Em Milão, um grupo chamado Brigada Judaica, em homenagem à milícia do Exército britânico que combateu nos últimos estágios da campanha pela libertação italiana, foi contestado por militantes pró-Palestina com gritos de "vergonha" e escoltado para fora da passeata pela polícia.
Ao longo dos últimos anos, tensões entre apoiadores da Palestina e de Israel têm sido frequentes nos atos de 25 de abril, mas é a primeira vez que a Brigada Judaica não consegue concluir sua passeata.
"Fomos expulsos da marcha porque temos a Estrela de Davi em nossas faixas, porque defendemos o direito do Estado de Israel de existir, porque defendemos o direito da Brigada Judaica de marchar? Não sei, perguntem a eles", disse Emanuele Fiano, membro do progressista Partido Democrático (PD) e do grupo Esquerda por Israel.
"Este é o meu 50º ano participando, e algo assim nunca tinha acontecido antes", acrescentou. Já o diretor do Museu da Brigada Judaica, Davide Romano, afirmou que a decisão de remover o grupo da manifestação foi da polícia. "É um fato grave", acrescentou.
Já o presidente da Associação Nacional dos Partisans Italianos (Anpi), entidade responsável pela organização dos atos de 25 de abril, Gianfranco Pagliarulo, declarou que a Brigada Judaica violou o compromisso de não levar bandeiras de Israel à manifestação para não criar focos de tensão.
"Em uma situação do tipo, as bandeiras israelenses não são oportunas. Imaginem se houvesse bandeiras russas junto com ucranianas, talvez não fosse uma grande ideia, então não entendo por que havia bandeiras israelenses", salientou o dirigente.
Cartaz compara sionistas a 'nazistas' em ato pelo Dia da Libertação em MilãoO prefeito de Milão, Giuseppe Sala, também comentou a confusão e disse não ter ficado surpreso. "Sinceramente, eu já esperava isso. Esse é o clima que se criou nos últimos tempos, mas lamento, porque o 25 de abril é um momento importantíssimo", destacou.
Por sua vez, o deputado de esquerda Angelo Bonelli condenou insultos antissemitas contra a Brigada Judaica, porém acusou o grupo de praticar uma "provocação inaceitável e planejada" ao levar fotos do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, para a marcha.
Capital
A manifestação em Roma também foi marcada por confusão: dois membros da Anpi foram atingidos por tiros de pistola de ar comprimido perto de um bar. O ataque foi cometido por um homem vestido com colete camuflado e que se havia se aproximado de moto.
As vítimas, marido e mulher, sofreram ferimentos no pescoço, no rosto e nos ombros, mas não correm risco de morte, enquanto o agressor ainda não foi identificado.
O ato na capital teve dezenas de bandeiras vermelhas e da Anpi, mas também da Palestina, do grupo xiita libanês Hezbollah e do Irã, após uma manhã aberta por cerimônias institucionais pelo 81º aniversário da Libertação.
Como de costume, o presidente da República, Sergio Mattarella, acompanhou a colocação de uma coroa de louros no Altar da Pátria, no centro histórico de Roma. "Hoje comemoramos o dia 25 de abril, data da Libertação do nosso país. Não somos motivados por um mero sentimento de celebração nem pela pretensão de escrever uma história em obediência a posições ideológicas abstratas. Somos movidos pelo amor à pátria", declarou o chefe de Estado.
Já a premiê Giorgia Meloni destacou que a data recorda o "fim da ocupação nazista e a derrota da opressão fascista, que negou aos italianos liberdade e democracia".
"Hoje celebramos os valores consagrados na Constituição Republicana, que permitiram à Itália se tornar o que é: uma nação forte e com credibilidade, protagonista no cenário europeu e internacional", acrescentou.
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