Sargento dos EUA é preso por usar informação sigilosa para lucrar mais de R$ 2 mi com apostas sobre captura de Maduro
Militar apostou 13 vezes no Polymarket que Maduro seria capturado até 31 de janeiro; A operação foi concluída no dia 3 daquele mês
Um sargento do Exército dos Estados Unidos foi preso por autoridades federais, acusado de usar informações confidenciais para fazer apostas no mercado de previsões Polymarket relacionadas à missão militar que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro. A informação foi divulgada pelo Departamento de Justiça americano nesta quinta-feira, 23.
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O sargento Gannon Ken Van Dyke, de 38 anos, apostou cerca de US$ 33 mil (R$ 166 mil) em 13 jogos na semana que antecedeu a ação, já sabendo que os Estados Unidos planejavam uma ofensiva militar contra Maduro. As apostas renderam quase US$ 410 mil (cerca de R$ 2 milhões), segundo a acusação.
"Todas essas apostas assumiram a posição “SIM” em “Forças dos EUA na Venezuela... até 31 de janeiro de 2026”; “Maduro fora até... 31 de janeiro de 2026”; “Os EUA invadirão a Venezuela até... 31 de janeiro”; ou “Trump invoca Poderes de Guerra contra a Venezuela até... 31 de janeiro”, disse o comunicado do Departamento de Justiça americano.
De acordo com o órgão, Van Dyke “esteve envolvido no planejamento e na execução da Operação Absolute Resolve”, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no início de janeiro.
As acusações incluem violação da Lei de Bolsas de Mercadorias, com pena máxima de até 10 anos de prisão por cada infração; fraude eletrônica, com pena máxima de até 20 anos; e realização de transação monetária ilegal, com pena máxima de até 10 anos de prisão.
A plataforma de previsões Polymarket permite que usuários apostem em desfechos de eventos reais, como eleições, decisões do Federal Reserve ou premiações internacionais.
Em comunicado oficial, a empresa afirmou que reforçou recentemente suas regras de integridade de mercado para combater o uso de informações privilegiadas.
“Quando identificamos um usuário negociando com informações governamentais confidenciais, encaminhamos o caso ao Departamento de Justiça e cooperamos com a investigação”, disse a plataforma. “O uso de informações privilegiadas não tem lugar na Polymarket. A prisão de hoje é a prova de que o sistema funciona.”
O procurador-geral interino Todd Blanche afirmou que militares estão proibidos de usar dados sigilosos para obter ganhos financeiros. “O acesso generalizado a mercados de previsão é um fenômeno relativamente novo, mas as leis federais que protegem informações de segurança nacional se aplicam plenamente”, disse.
Van Dyke estava lotado em Fort Bragg, base militar em Fayetteville, na Carolina do Norte. Ele havia assinado acordos de confidencialidade comprometendo-se a não divulgar qualquer informação classificada relacionada a operações militares.
Segundo o Departamento de Justiça, o militar criou uma conta na Polymarket em 26 de dezembro de 2025 e passou a apostar em eventos ligados à Venezuela e a Maduro, sempre com base em informações não públicas.
Após lucrar, Van Dyke transferiu a maior parte do dinheiro para uma carteira de criptomoedas no exterior e, depois, para uma conta em corretora online recém-criada. Ele também tentou ocultar sua identidade, solicitando a exclusão da conta na plataforma e alterando dados vinculados às transações.
A operação militar foi concluída na madrugada de 3 de janeiro, quando forças americanas capturaram Maduro em Caracas. Horas depois, o presidente dos Estados Unidos anunciou o sucesso da ação, o que levou à vitória das apostas feitas pelo militar.
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