1° de Maio: padeiros e floristas franceses desafiam autoridades e prometem abrir comércios no feriado
Na véspera do Dia do Trabalhador, a França se vê novamente diante da polêmica: acabar ou não com o feriado do 1º de maio? O debate volta às páginas dos jornais franceses nesta quinta-feira (30). Padeiros e floristas do país exigem autorização para poder abrir seus comércios na data.
"A polêmica que nunca termina", resume o jornal Les Echos no título de uma matéria. Segundo o diário, a mobilização dos sindicatos nas ruas neste ano não deve ser expressiva, mas esse não será um dia de descanso para o governo, avalia.
O motivo é um projeto de lei apresentado por senadores do partido centrista UDI e aprovado na quarta-feira (29). O texto autoriza, a partir de 2027, que padeiros e floristas trabalhem no tradicional feriado de 1º de maio, considerado uma conquista histórica do movimento dos trabalhadores.
No entanto, o Les Echos destaca ainda as declarações do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu. Em 17 de abril, ele afirmou que daria instruções aos fiscais para que não multassem padarias e floriculturas que abrirem neste 1º de maio, o que, segundo o jornal, gera confusão jurídica.
Já o jornal Le Figaro lembra que a lei que estabelece o feriado continua valendo para a maioria das profissões, com exceção de setores essenciais e de atividade contínua, como hospitais, transportes e hotéis. Mesmo assim, donos de padarias e floriculturas pretendem abrir seus estabelecimentos, se apoiando na concessão informal do primeiro-ministro e na futura lei, e desafiando os fiscais do Ministério do Trabalho que estarão nas ruas multando quem desrespeitar a legislação ainda vigente.
Por que padeiros e floristas em particular?
O Le Figaro explica que o feriado é extremamente lucrativo para padarias e floriculturas, que registram forte demanda no 1º de maio. As padarias se beneficiam do hábito francês de consumir pão fresco diariamente, enquanto as floriculturas têm interesse especial em permanecer abertas por causa da venda de lírios-do-vale, também conhecidos como muguet.
Em entrevista ao jornal, o presidente da Federação Francesa dos Floristas, Farell Legendre, afirma que a comercialização do muguet representa uma receita de € 10 milhões para o setor.
Na França, existe a tradição de presentear pessoas queridas com essa flor branca ou cor-de-rosa. Embora o muguet seja associado ao Dia do Trabalhador desde a década de 1940, as tradições ligadas ao muguet são bem mais antigas.
A flor passou a ser associada ao Dia do Trabalho apenas sob o governo de Vichy, regime que colaborou com a Alemanha Nazista. No dia 24 de abril de 1941, o marechal Pétain oficializou o 1° de maio como a "Festa do Trabalho e da Conciliação Social". A rosa vermelha, símbolo da data desde 1891 e ligada à esquerda, foi então substituída pelo lírio-do-vale.
Desde então, a flor se consolidou como símbolo do Dia do Trabalho. A cada 1º de maio, além das floriculturas, numerosos vendedores ambulantes comercializam muguet pelas ruas francesas.
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