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EUA pressionam Sri Lanka a não repatriar tripulação iraniana e sobreviventes de navio afundado, diz memorando

6 mar 2026 - 17h06
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Os Estados Unidos estão pressionando o governo do ‌Sri Lanka a não repatriar os sobreviventes do navio de guerra iraniano que afundou nesta semana, assim como a tripulação de um segundo navio iraniano sob custódia do Sri Lanka, mostrou um telegrama interno do Departamento de Estado visto pela Reuters nesta sexta-feira.

Um submarino dos EUA afundou o navio de guerra IRIS Dena no Oceano Índico, a cerca de 19 milhas ⁠náuticas da cidade portuária de Galle, no sul do Sri Lanka, na quarta-feira, matando dezenas de ‌marinheiros e ampliando drasticamente a perseguição de Washington à marinha iraniana.

Na quinta-feira, o Sri Lanka começou a desembarcar 208 tripulantes de uma segunda embarcação iraniana, o navio auxiliar da ‌marinha IRIS Booshehr, que ficou encalhado na zona econômica exclusiva ‌do Sri Lanka, mas fora de sua fronteira marítima.

O presidente do Sri Lanka ⁠Anura Kumara Dissanayake disse que sua nação insular tem a "responsabilidade humanitária" de acolher a tripulação.

O torpedeamento do Dena -- que o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, descreveu como "morte silenciosa" -- foi a primeira ação do tipo realizada pelos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial e um sinal claro do aumento do escopo geográfico do conflito com o Irã.

O telegrama interno do ‌Departamento de Estado, datado de 6 de março e não relatado anteriormente, dizia que Jayne Howell, ‌encarregada de negócios da embaixada ⁠dos EUA em Colombo, ⁠havia enfatizado ao governo do Sri Lanka que nem a tripulação do Booshehr nem os 32 sobreviventes ⁠do Dena deveriam ser repatriados para o Irã.

O ‌documento dizia que "as autoridades do Sri ‌Lanka deveriam minimizar as tentativas iranianas de usar os detidos para propaganda".

O Departamento de Estado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Representantes do gabinete de Dissanayake e do Ministério das Relações Exteriores do Sri Lanka não estavam imediatamente disponíveis para ⁠comentar.

O telegrama também diz que Howell comunicou ao embaixador israelense na Índia e Sri Lanka que não havia planos de repatriar a tripulação para o Irã. O enviado perguntou a Howell se havia algum compromisso com a tripulação para incentivar a "deserção", segundo o telegrama.

Um representante da embaixada israelense em Nova Délhi não respondeu imediatamente ‌a um pedido de comentário.

Na quarta-feira, o vice-ministro da saúde e mídia de massa do Sri Lanka, Hansaka Wijemuni, disse à Reuters que Teerã havia pedido ajuda a Colombo para ⁠repatriar os corpos dos mortos a bordo do Dena, mas não foi determinado um prazo.

O Dena havia participado de exercícios navais organizados pela Índia na Baía de Bengala no mês passado e estava retornando ao Irã quando foi atingido por um torpedo dos EUA.

Uma autoridade dos EUA disse à Reuters sob condição de anonimato que o Dena estava armado quando foi atingido e que os Estados Unidos não deram qualquer aviso antes de realizar o ataque.

O telegrama do Departamento de Estado afirma que o segundo navio, o Booshehr, permanecerá sob custódia do Sri Lanka enquanto durar o conflito.

Autoridades do Sri Lanka informaram nesta sexta-feira que estavam escoltando o Booshehr para um porto na costa leste e transferindo a maior parte de sua tripulação para um acampamento da Marinha perto de Colombo.

Reuters Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
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