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Davos: Donald Trump exige 'negociações imediatas' sobre Groenlândia, mas descarta uso da força

O avião presidencial pousou com duas horas de atraso, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente desembarcou na Suíça nesta quarta-feira (21) para um discurso mais que esperado. Após a chegada em Zurique, ele seguiu de helicóptero para Davos, onde fez um discurso polêmico e segue uma agenda com líderes mundiais, em um contexto de fortes tensões, especialmente em torno da Groenlândia.

21 jan 2026 - 11h58
(atualizado às 14h10)
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Trump discursou pouco depois das 14h30 (10h30 em Brasília), como previsto, apesar de um problema técnico em uma de suas aeronaves. O presidente norte-americano iniciou seu discurso com uma saudação ao auditório lotado, repleto de magnatas e líderes mundiais, mas rapidamente falou sobre a situação da Groenlândia.

O chefe da Casa Branca exigiu em Davos "negociações imediatas" sobre a aquisição da ilha, mas tentou tranquilizar os parceiros europeus dizendo que esta compra não seria uma "ameaça para a Otan". Mesmo assim, não mediu provocações diretas, afirmando que apenas "são os Estados Unidos, e somente os Estados Unidos, que podem proteger essa enorme massa de terra, esse enorme pedaço de gelo, desenvolvê-lo e aprimorá-lo", disse Trump no Fórum Econômico Mundial em Davos. "Um bloco de gelo" em troca da "paz mundial", sugeriu sem meias-palavras o presidente norte-americano.

"Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar a força excessiva, caso em que seríamos, francamente, imparáveis, mas não farei isso", declarou Trump. "Agora todos estão dizendo: 'Ah, que bom'. Essa é provavelmente a declaração mais importante que fiz, porque as pessoas pensavam que eu usaria a força. Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não usarei a força", enfatizou diante dos líderes mundiais em uma cúpula em Davos.

O presidente norte-americano participa do Fórum pela primeira vez desde 2020. Além do discurso, ele pretende realizar várias reuniões dedicadas à Groenlândia. 

Europa "na direção errada"

"É ótimo estar de volta à bela Davos, na Suíça, e falar a tantos líderes empresariais respeitados, a tantos amigos — poucos inimigos", disse, arrancando risos contidos da plateia.

O magnata fez um balanço de suas realizações no primeiro ano de mandato, afirmando ter chegado aos Alpes suíços trazendo "notícias realmente fenomenais dos Estados Unidos".

"A Europa não está indo na direção certa" e "os Estados Unidos são o motor da economia mundial", declarou Trump, que destacou amplamente o balanço de seu primeiro ano à frente da presidência dos Estados Unidos. "Quando a América prospera, o mundo prospera (...). Quando ela vai mal, todos vão mal", sentenciou.

Com um discurso aparentemente alinhado a teorias de conspiração famosas entre a ultradireita global, o presidente norte-americano voltou a criticar a Europa nesta quarta-feira durante o discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, afirmando que o Velho Continente se tornou, em alguns lugares, "irreconhecível" devido à imigração em massa e à "transição energética", que ele classificou como uma "mentira da esquerda europeia".

"Eu gosto da Europa e desejo que ela esteja bem, mas ela não está indo na direção certa", insistiu o presidente dos Estados Unidos. "O crescimento econômico, o comércio e a imigração são preocupações centrais para um Ocidente forte e unido", disse Trump.

Canadá, o 51º Estado dos EUA?

Apesar de declarar ter "poucos inimigos" presentes, o chefe de Estado norte-americano não poupou ataques diretos, como a mensagem ao primeiro-ministro do Canada, Mark Carney, que havia feito na véspera um discurso contundente contra a politica externa dos EUA, sem citar o nome de Trump. Segundo o presidente norte-americano, "o Canada só existe graças aos Estados Unidos". 

"O Canadá recebe muitas coisas de graça de nós, aliás. Também deveria nos ser grato, mas não é. Ontem eu observei seu primeiro-ministro. Ele não estava muito agradecido. Os canadenses deveriam nos agradecer", declarou o presidente americano, que há meses insiste em sua intenção de transformar o Canadá no 51º Estado dos Estados Unidos.

Expectativa e clima antes do discurso

Centenas de participantes do Fórum que reúne os mais ricos e poderosos do mundo aguardaram pacientemente por mais de duas horas, antes de sua chegada, em uma longa fila que serpenteava pelo centro de convenções, para tentar entrar no auditório onde o presidente da principal potência mundial faria seu discurso.

Quando as portas se abriram, houve empurra-empurra para conseguir acesso à sala, de capacidade limitada e rapidamente lotada. Muitas pessoas tiveram de se contentar em acompanhar a fala por meio de telões.

"É como um festival de rock", brincou um deles. "É isso mesmo!", concordou outro, que esperava na fila.

Enquanto aguardavam, alguns manifestavam preocupação com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e a União Europeia em torno da Groenlândia, cobiçada por Trump. Outros ainda esperavam ouvir "palavras de paz".

"Espero o pior. Pelo que sabemos, Trump sempre tenta atrair toda a atenção para si e quer causar impacto com sua mensagem — e tenho certeza de que ele vai fazer isso", disse Julia Binder, da escola de negócios IMD. "Estamos aqui para ouvir pontos de vista diferentes, gostemos deles ou não", afirmou o sul-africano Daniel Marokane, executivo de uma empresa do setor de energia.

"Ele vai soltar uma bomba!", previu um sul-coreano que preferiu não se identificar, como muitos dirigentes e executivos presentes. "Mas pelo menos poderemos dizer que estávamos aqui", respondeu uma mulher logo atrás dele, que também pediu anonimato.

Com AFP

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