Explosão em sinagoga na Bélgica reforça alerta de ameaças à Europa devido à guerra no Oriente Médio
A explosão na madrugada desta segunda-feira (9) diante de uma sinagoga na Bélgica foi o segundo incidente do tipo desde o início dos bombardeios americanos e israelenses contra o Irã. No domingo (8), a embaixada dos Estados Unidos em Oslo, na Noruega, também foi atingida por um explosivo. Os atos ainda estão sendo investigados e a Europa está em estado de alerta.
Com informações de Aurore Lartique, da RFI em Paris, e AFP
O governo da Bélgica denunciou um "ato antissemita" após a explosão diante da sinagoga em Liège, no leste do país, que também abriga um museu da história da comunidade judaica. A explosão aconteceu pouco antes das 4h00 (0h00 de Brasília) diante do templo e não deixou feridos.
Houve apenas danos materiais, informou um comunicado da polícia local. A explosão quebrou as janelas dos imóveis diante da sinagoga.
O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, afirmou no X que o "ato abjeto visou diretamente a comunidade judaica da Bélgica". Ele acrescentou que uma investigação judicial foi aberta e que as medidas de segurança ao redor de outros locais de culto serão reforçadas.
O prefeito de Liège, Willy Demeyer, disse à emissora pública RTBF que o ataque foi intencional e direcionado e estaria vinculado ao conflito atual no Oriente Médio. "Não podemos permitir que conflitos estrangeiros sejam importados para a nossa cidade", declarou o prefeito.
Explosão na embaixada americana de Oslo
A polícia da Noruega divulgou nesta segunda-feira fotos de um suspeito pela explosão na embaixada dos Estados Unidos em Oslo. Ele teria colocado o explosivo na porta do prédio na madrugada de domingo (8). A detonação do explosivo não deixou vítimas e causou apenas pequenos danos materiais.
Os investigadores suspeitam de um ato terrorista e não descartam um possível vínculo com a guerra no Oriente Médio. "É natural considerar isso no contexto atual de segurança", afirmou Frode Larsen, chefe da unidade conjunta de investigação e inteligência da polícia da Noruega.
O primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, classificou o incidente como muito grave e completamente inaceitável. Ele indicou que a segurança foi reforçada em outros alvos americanos, israelenses e também judaicos na Noruega.
A embaixada americana na Suécia, vizinha da Noruega, emitiu um alerta de segurança após a explosão em Oslo, pedindo que cidadãos americanos permaneçam vigilantes nas proximidades do local e evitem chamar atenção.
Europa em estado de alerta
Vários países europeus aumentaram o nível de alerta diante do risco de atentados devido à guerra em curso no Oriente Médio. A França foi um dos primeiros a reforçar suas medidas de segurança assim que ocorreram os primeiros ataques israelenses e americanos contra o Irã em 28 de fevereiro.
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, ordenou uma proteção reforçada das representações diplomáticas israelenses, americanas e iranianas, bem como dos locais de culto judaicos.
As forças de segurança foram colocadas em estado de vigilância para detectar qualquer ação suscetível de perturbar a ordem pública. O dispositivo militar Sentinelle, criado após os atentados de Paris de 2015, também foi reforçado. O plano nacional de segurança da França contra ameaças terroristas, Vigipirate, está em seu nível mais alto, urgência atentado, pela primeira vez em dois anos.
Diáspora iraniana
O dispositivo monitora com atenção especial as personalidades e associações opositoras ao regime iraniano presentes na França.
A vigilância está no nível máximo na França, mas até o momento não houve nenhum projeto de atentado frustrado nem ameaça conhecida ou identificada no país, informou o ministro Laurent Nuñez.
Os serviços de inteligência temem sobretudo ações direcionadas ou tentativas de desestabilização, tendo como alvos potenciais opositores do regime iraniano, bem como interesses israelenses ou ligados à comunidade judaica.
Ameaça iraniana
A preocupação é compartilhada por outros países europeus. "O regime iraniano demonstrou várias vezes no passado que conduzia ações terroristas além de suas próprias fronteiras", declarou Marc Henrichmann, presidente da comissão parlamentar alemã encarregada do controle dos serviços secretos ao jornal Süddeutsche Zeitung.
"Medidas de retaliação, especialmente por células adormecidas iranianas na Europa, não podem ser descartadas", acrescentou, ressaltando que as medidas de proteção devem ser adaptadas se necessário.
Em 3 de março o regime iraniano reforçou esses temores. De Teerã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, advertiu os europeus de que qualquer ação contra o país seria considerada um gesto de cumplicidade com os agressores.
Em 2023, o diretor da DGSI, o serviço de inteligência francês, Nicolas Lerner, alertava para a capacidade comprovada do Irã de levar a ameaça além de suas fronteiras. Ele lembrou a tentativa de atentado frustrada em 2018 contra um encontro da oposição iraniana em Villepinte, na periferia de Paris, que envolveu inclusive um diplomata do Irã que trabalhava na embaixada da Áustria.
"Se analisarmos o comportamento da República Islâmica desde sua criação em 1979, vemos que houve diferentes estratégias de repressão ou terror utilizadas", destaca a socióloga de origem iraniana Firouzeh Nahavandi, professora emérita da Universidade Livre de Bruxelas. Atualmente, ela cita a pressão exercida por Teerã com estrangeiros detidos no país e acusados de espionagem. Entre eles estão os franceses Cécile Kohler e Gilles Paris, libertados em novembro passado, mas ainda proibidos de deixar o território iraniano.