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Hotéis de luxo, metrô e 'sexpionagem': saiba como Paris se tornou palco da espionagem global

Com seus hotéis de luxo, a rede de metrô e uma localização estratégica, Paris se tornou um epicentro da espionagem, revela a revista francesa L'Express. A reportagem narra casos curiosos e aborda a "sexpionagem", onde a sedução vira arma em operações secretas.

3 jan 2026 - 09h30
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Segundo a L'Express, Paris consolidou-se como o grande palco das operações secretas globais. Hotéis de luxo como o Península e o Royal Monceau tornaram-se verdadeiros quartéis-generais para encontros discretos de agentes de potências rivais. 

Segundo revistas francesas, Paris se transformou na capital mundial da espionagem.
Segundo revistas francesas, Paris se transformou na capital mundial da espionagem.
Foto: © La tour Eiffel / X / RFI

Recentemente, representantes da CIA, do Mossad e de países árabes se reuniram em Paris para negociar sobre a guerra em Gaza, aproveitando a neutralidade diplomática e a infraestrutura sofisticada que a cidade oferece.

A reportagem revela episódios curiosos que reforçam o caráter singular da espionagem parisiense. O fundador do Telegram, Pavel Durov, por exemplo, foi recebido como um chefe de Estado no hotel Crillon, símbolo da importância estratégica desses palácios. Até cruzeiros pelo Sena e jantares refinados entram no jogo, usados para criar confiança e garantir negociações longe dos holofotes.

Bastidores glamorosos e 'sexpionagem'

Entre as práticas mais intrigantes está a 'sexpionagem', técnica que marcou a profissão até os anos 1970 e ainda resiste em versões modernas. A sedução deliberada para extrair informações confidenciais era comum em áreas como os Invalides, segundo a L'Express. Hoje, o método é associado à tecnologia: antes das reuniões, equipes realizam uma varredura do local para eliminar microfones e instalar seus próprios dispositivos.

Com uma estimativa de até 15 mil agentes estrangeiros circulando pela cidade, Paris é descrita como um "tabuleiro de xadrez" para serviços secretos. Desde os anos 1960, pelo menos 16 assassinatos ligados à espionagem ocorreram na capital, reforçando sua reputação sombria. Entre glamour e intriga, a capital francesa segue sendo o coração pulsante da diplomacia oculta e das operações clandestinas.

Espionagem em família

A revista Le Point revela a história de Isabelle Pâques, filha do ex-espião francês Georges Pâques, que durante 20 anos trabalhou para a União Soviética enquanto ocupava cargos estratégicos no Ministério da Defesa e na Otan. 

Isabelle e seu filho Dimitri emigraram recentemente para São Petersburgo e receberam a cidadania russa por decreto assinado por Vladimir Putin, em uma cerimônia conduzida pelo chefe do Serviço de Inteligência Exterior da Rússia (SVR), Sergueï Narychkine. O gesto, carregado de simbolismo, reforça os laços históricos entre a família e Moscou.

Segundo a reportagem, Isabelle, que já foi candidata pelo partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, e manteve posições nacionalistas e antivacinação nas redes sociais, tornou-se uma defensora aberta da Rússia desde o início da guerra na Ucrânia. 

Ao deixar a França, ela levou na mala os arquivos pessoais do pai, com planos de criar um museu da espionagem onde Georges Pâques será homenageado. 

A matéria mostra como as memórias da Guerra Fria e as lealdades ideológicas continuam a influenciar escolhas familiares e políticas, misturando passado e presente em meio às tensões geopolíticas atuais.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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