Vítimas de incêndio em bar na Suíça ganham homenagem comovente em Crans-Montana
Velas, flores, aplausos aos socorristas e uma multidão cantando "Hallelujah", de Leonard Cohen: uma homenagem foi prestada neste domingo (4), em Crans-Montana, às vítimas do incêndio em um bar ocorrido na noite de Ano-Novo, na estação alpina suíça, com uma missa que reuniu centenas de pessoas. Novas homenagens estão previstas para o dia 9 de janeiro, data decretada como dia de luto nacional na Suíça.
Com informações de Jérémy Lanche, correspondente da RFI em Crans-Montana
Moradores, vizinhos, turistas, autoridades, embaixadores, religiosos... mais de mil pessoas — e talvez até mais — enfrentaram o frio intenso para prestar homenagem às vítimas, segundo informações do correspondente da RFI no local.
Os padres e pastores que conduziram a cerimônia também tentaram encontrar as palavras certas para confortar as famílias, convocando especialmente os jovens — muitos entre os presentes — a se voltarem para a "luz". E a falar, a não guardar "só para si" o que vivenciaram.
"Estamos aqui para dizer que, diante do indizível, da brutalidade da morte e do sofrimento, não queremos desviar o olhar. Estamos aqui para expressar nossa compaixão e nossa solidariedade", declarou, entre outros, o pastor Gilles Cavin, representante da Igreja Reformada da Suíça.
O pesado silêncio que predominava entre os presentes só foi quebrado pelos aplausos quando os bombeiros se dirigiram ao bar incendiado com flores e bichos de pelúcia nas mãos, que depositaram diante do monumento improvisado em homenagem às vítimas. Fora isso, quase ninguém quis se manifestar. É cedo para isso. O luto apenas começou e promete ser longo.
Missa ao ar livre
Centenas de pessoas participaram inicialmente de uma missa ao ar livre, sob frio intenso, diante da capela São Cristóvão, que estava lotada. Em seguida, a multidão caminhou em silêncio até um memorial montado próximo ao local da tragédia, onde milhares de flores e centenas de velas foram deixadas.
"Viemos por solidariedade", disse Gina, prestes a se aposentar, que chegou de uma cidade vizinha. Mulheres com buquês de flores enxugavam as lágrimas. Um aplauso espontâneo começou no fim do cortejo, e a multidão abriu passagem para os socorristas, muitos deles visivelmente abalados.
Em meio à multididão, uma mulher desmaiou. Equipes de resgate correram para prestar atendimento. Logo depois, a multidão passou a cantar "Hallelujah", de Leonard Cohen. "Ao ouvir os cantos, a emoção toma conta, é impossível ficar indiferente", afirmou à AFP Beverley, britânica de 58 anos, que veio de Lutry, perto de Lausanne.
Até agora 24 vítimas identificadas
"Deve ser extremamente difícil para as famílias que ainda aguardam notícias", acrescentou, enquanto o processo de identificação dos mortos e feridos continua.
Até o momento, 24 corpos foram identificados, entre eles onze menores de idade e seis estrangeiros. A polícia contabiliza, por ora, 18 suíços, dois italianos, um francês, uma pessoa com dupla nacionalidade italiana e dos Emirados Árabes Unidos, um romeno e um turco.
Dos 119 feridos, 113 já foram identificados, incluindo vários estrangeiros. Há, até agora, 23 franceses feridos e outros oito considerados desaparecidos, informou no domingo o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
Trinta e cinco pacientes com queimaduras graves foram transferidos para hospitais na França, Bélgica, Alemanha e Itália, segundo autoridades federais suíças.
A Justiça abriu uma investigação criminal contra o casal francês proprietário do bar, Jacques e Jessica Moretti, por homicídio culposo, lesões corporais culposas e incêndio causado por negligência.
De acordo com os primeiros indícios e depoimentos, o incêndio teria começado com velas acesas presas a garrafas de champanhe colocadas muito próximas ao teto do subsolo do bar.
RFI com AFP