Em Gaza, destruída por forças israelenses, assistir aos jogos da Copa do Mundo é um grande desafio
Por mais que a Copa do Mundo de futebol seja alvo de polêmicas, o torneio segue sendo um dos eventos esportivos mais populares e assistidos do planeta. Em Gaza, porém, acompanhar uma partida pode ser um verdadeiro desafio.
Rami Al Meghari, correspondente da RFI na Faixa de Gaza e Guilhem Delteil, de Paris
A noite cai sobre Al Meghazi, no centro da Faixa de Gaza, e um pequeno café mergulha quase completamente na escuridão. Apenas uma luz fraca ilumina o ambiente onde cerca de vinte pessoas se reúnem para assistir ao jogo entre França e Senegal.
Entre elas está Marwan Hammad, que vê nas partidas uma rara oportunidade de escapar das dificuldades do cotidiano.
"Essa atmosfera me faz lembrar dos tempos antes da guerra. Venho aqui para afastar o tédio e o estresse e aproveitar esse espetáculo ao lado de outras pessoas", conta.
Mas, mesmo esses breves momentos de descontração, são constantemente ameaçados pelas dificuldades enfrentadas pelos moradores do território palestino, explica Mohammed Abu Ghazal.
"Gostamos muito de assistir aos jogos, mas isso também é uma provação. Há cortes de energia, problemas de conexão com a internet e o calor. Frequentemente não conseguimos acompanhar as partidas por causa das interrupções no fornecimento de eletricidade e das falhas na internet", relata.
Escassez é rotina
Em uma região devastada por meses de conflito, a escassez de recursos faz parte da rotina. A falta de eletricidade continua sendo um dos principais obstáculos para quem deseja acompanhar a competição.
Dono do café, Jehad Shaltout afirma que tentou reduzir os custos para atrair espectadores, mas reconhece que a frequência permanece baixa.
"Cobro 3 shekels por pessoa - pouco menos de € 1 - para ajudar a pagar a eletricidade. Mesmo assim, sobra talvez meio shekel para contribuir com o aluguel do estabelecimento. Pouca gente vem assistir aos jogos por causa da falta de energia", explica.
Apesar das dificuldades, algumas seleções conseguem mobilizar um público maior. É o caso do Egito, país vizinho da Faixa de Gaza, que continua sendo uma das equipes mais apoiadas pelos moradores do enclave palestino.
Para muitos gazenses, acompanhar a Copa do Mundo vai muito além do futebol. Em meio às privações e incertezas da guerra, os jogos representam uma oportunidade rara de convívio, distração e lembrança de uma vida mais normal.
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