Ataques israelenses matam 17 pessoas na Faixa de Gaza; palestinos começam a voltar ao enclave por Rafah
A Defesa Civil Palestina anunciou que ataques israelenses mataram 17 pessoas na Faixa de Gaza na quarta-feira (4). O exército israelense afirmou que realizou os ataques após disparos contra seus soldados, ferindo gravemente um oficial na parte norte do enclave. Nos últimos dias, algumas dezenas de pessoas conseguiram atravessar a passagem de Rafah, que liga a Faixa de Gaza e o Egito.
Rami al-Meghari e Frédérique Misslin, correspondentes da RFI em Gaza e Jerusalém, com agências
Na manhã de hoje, ataques aéreos israelenses atingiram o enclave palestino. A Defesa Civil, organização de primeiros socorros controlada pelo Hamas, relatou 17 mortes, incluindo mulheres e crianças.
O exército israelense declarou que estava respondendo a disparos direcionados a seus soldados na parte norte da Faixa de Gaza e especificou que um oficial ficou gravemente ferido. Os incidentes ocorreram nos bairros de Tuffah e Zeitoun, a leste da Cidade de Gaza, perto da Linha Verde, que marca a separação entre a área controlada pelo Hamas palestino e a área que permanece sob controle israelense. Outros ataques atingiram casas e tendas na parte sul do enclave, e campos para deslocados internos ao sul de Khan Younis e perto de Rafah foram bombardeados. O exército israelense indicou que realizou ataques "de precisão", utilizando aeronaves e veículos blindados.
Na parte norte do enclave palestino, 14 pessoas foram mortas e dezenas de feridos foram transportados para o Hospital al-Shifa, na Cidade de Gaza, segundo seu diretor, Mohammed Abu Salmiya, que denunciou "uma situação extremamente difícil nos hospitais do território, devido à grave escassez de medicamentos e equipamentos". Outros três corpos foram transportados para o Hospital Nasser, em Khan Younis, após ataques aéreos atingirem tendas e casas naquela área do sul de Gaza, de acordo com a Defesa Civil.
A ofensiva acontece enquanto um cessar-fogo deveria estar em vigor no território palestino.
Fronteira reaberta em Rafah
Esses ataques ocorreram dois dias após a reabertura da passagem de fronteira de Rafah com o Egito em ambas as direções, na segunda-feira (2). A abertura permitiu a retirada de doentes e feridos da guerra para o Egito. Na direção oposta, alguns palestinos também conseguiram retornar ao enclave.
Rotana Atya Al Reqeb havia deixado Gaza há 11 meses para acompanhar sua mãe, que tem um problema cardíaco e estava recebendo tratamento em Al Arish, no Egito. Ela finalmente retornou, na noite de segunda-feira, após uma jornada que descreve como humilhante: "Durou três horas… do lado palestino. A embaixada palestina falou comigo e me interrogou; carimbaram nossos passaportes e depois fomos levadas para o exército israelense. Chamaram minha mãe e outras pessoas, nos levaram embora, pediram que esperássemos em um lugar, nos algemaram, vendaram nossos olhos e nos fizeram perguntas sem sentido como: 'Por que vocês querem voltar para Gaza?. Normalmente, você não pergunta a alguém por que quer voltar para o seu país…".
Autoridades israelenses e egípcias afirmaram que 150 pessoas poderiam deixar Gaza diariamente e que 50 palestinos que saíram durante a guerra poderiam retornar — números ainda muito distantes da realidade.