Governo Trump retira agentes do ICE de Minneapolis
Medida parcial ocorre após grande operação e acusações mútuas
O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta quarta-feira (4) a retirada de cerca de 700 agentes federais destacados no estado de Minnesota, em meio a uma onda de protestos e após a morte de dois cidadãos americanos durante operações da agência de Imigração e Fronteiras dos Estados Unidos.
O anúncio foi feito pelo chamado "czar da fronteira" da Casa Branca, Tom Homan, durante uma coletiva de imprensa em Minneapolis, onde o enfermeiro Alex Pretti perdeu a vida após ser alvejado por agentes do ICE.
"Meu objetivo, com o apoio do presidente Trump, é realizar uma retirada completa e encerrar esse destacamento o mais rápido possível", declarou Homan, embora tenha esclarecido que a retirada total dependerá do progresso da operação de fiscalização da imigração.
Nos últimos dois meses, mais de 3 mil agentes federais foram enviados a Minneapolis, número muito superior aos cerca de 600 policiais locais alocados na cidade.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna, aproximadamente 3 mil imigrantes indocumentados foram presos desde o início da operação.
O endurecimento da política de imigração gerou forte indignação nacional após as mortes de Renee Good, de 37 anos, e Pretti, também de 37, ambos cidadãos americanos, em incidentes envolvendo agentes federais.
As mortes desencadearam protestos em massa em diversas cidades dos Estados Unidos e intensificaram a pressão política sobre a Casa Branca.
Pouco depois da morte de Pretti ? e antes da divulgação de conclusões de uma investigação formal ? a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e o assessor presidencial Stephen Miller classificaram publicamente o enfermeiro como um "terrorista doméstico", alegando que ele portava uma arma. A acusação foi contestada por familiares e testemunhas.
Na sequência, o governo afastou o comandante nacional da Patrulha da Fronteira, Gregory Bovino, da operação em Minnesota. Ele, frequentemente visto em confrontos com manifestantes e durante prisões de imigrantes, foi transferido de volta para seu antigo posto em El Centro, na Califórnia.
Com a chegada de Homan a Minneapolis, o governo passou a sinalizar que a situação "poderia melhorar", abrindo espaço para uma possível retirada de tropas.
Durante a coletiva de imprensa de hoje, Homan também anunciou mudanças na estrutura operacional, com a criação de um comando único em Minneapolis, substituindo os dois existentes até então, em uma tentativa de reduzir tensões e melhorar a coordenação das ações federais.
Apesar disso, as mensagens da Casa Branca permaneceram contraditórias. Após as declarações iniciais de Homan, Trump pareceu se distanciar de uma desescalada completa, embora tenha classificado a morte de Pretti como "muito lamentável" e afirmado querer "diminuir a tensão" na região.
Posteriormente, contudo, o presidente voltou a endurecer o discurso e chamou Pretti de "agitador e, talvez, insurgente" em uma publicação na rede Truth Social.
A mudança de tom ocorreu após a divulgação de um vídeo que mostra Pretti chutando um veículo da imigração e em meio à pressão da ala mais linha-dura do governo. O ex-conselheiro Stephen Bannon declarou em seu podcast War Room que "não pode haver desescalada".
Embora esteja em discussão uma retirada parcial de agentes, a tensão segue elevada. Recentemente, autoridades federais prenderam o ex-âncora da CNN Don Lemon por suposto envolvimento em um protesto, cujos manifestantes interromperam um culto religioso liderado por um pastor que, segundo alegações, também atua como agente de imigração.
Vídeos de confrontos entre agentes federais e moradores de Minneapolis e Saint Paul continuam a circular amplamente nas redes sociais, alimentando o debate nacional sobre o uso da força, a política de imigração do governo Trump e os limites das operações federais em jurisdições locais.