Tailândia e Camboja retomam combates com artilharia pesada
Tailândia e Camboja retomaram nesta quinta-feira os combates com disparos de fuzil e artilharia pesada na fronteira, onde morreram pelo menos 14 pessoas desde o início das hostilidades, na última sexta-feira, informaram fontes militares de ambos os países. Os enfrentamentos ocorreram antes do amanhecer perto dos antigos templos hindus Ta Muen e Ta Kwai (Ta Moan e Ta Krabey em cambojano), situados na fronteira entre o nordeste da Tailândia e o norte do Camboja, segundo a imprensa tailandesa.
Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro do Camboja, Hun Sen, acusou a Tailândia de produzir um bombardeio desumano e indiscriminado com a intenção de anexar território cambojano, e pediu a mediação da comunidade internacional no conflito. Hun Sen, que reconheceu a superioridade militar tailandesa, advertiu que o conflito está à beira de uma guerra com bombardeios de artilharia pesada.
Já a Tailândia acusa Phnom Penh de iniciar as hostilidades no dia 22, se nega a internacionalizar o conflito e insiste em manter conversas bilaterais, assim que cessarem os disparos dos soldados cambojanos. A previsão é que os líderes das duas nações se reúnam em maio na Indonésia, país que ostenta a Presidência da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Até o momento, morreram um civil e seis soldados tailandeses e sete militares cambojanos, enquanto cerca de 55 mil pessoas se encontram em abrigos nos dois países. Os enfrentamentos começaram em torno de Ta Muen e Ta Kwai, mas na terça-feira se estenderam a Preah Viehar, outro templo khmer situado mais de 100 quilômetros ao leste.
ONU, Estados Unidos e Asean exercem forte pressão sobre os dois governos para que voltem à mesa de negociação. As fronteiras entre os países, fortemente minada, nunca estiveram claramente delimitadas desde que a França abandonou suas colônias no Sudeste Asiático após a Segunda Guerra Mundial. O conflito atual começou em 2008, quando a Unesco atribuiu o título de patrimônio da humanidade ao monumento de Preah Viehar, incluindo-o no território cambojano.