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América Latina

Saiba quem são as empresas privadas que enriquecem com a nova política de deportação americana

Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump tem recorrido amplamente a empresas privadas para sustentar sua política repressiva de imigração. Uma rede que engloba gigantes da vigilância, firmas de tecnologia e corporações de segurança, muitas das quais viram seus lucros dispararem com contratos federais bilionários.

1 fev 2026 - 13h52
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Com informações de Jean-Baptiste Breen, da RFI

Desde que Donald Trump retornou ao poder, muitas empresas têm se beneficiado de suas políticas anti-imigração. Imagem ilustrativa mostra o símbolo do ICE.
Desde que Donald Trump retornou ao poder, muitas empresas têm se beneficiado de suas políticas anti-imigração. Imagem ilustrativa mostra o símbolo do ICE.
Foto: AFP - CHARLY TRIBALLEAU / RFI

Ao longo dos meses, a agenda anti-imigração do presidente tornou-se progressivamente mais violenta. Por trás da discriminação étnica, das prisões arbitrárias e dos assassinatos de civis, opera um mercado rentável que beneficia um número restrito de corporações. Vários desses grupos — alguns com ligações diretas com Trump — descobriram na política migratória dos EUA uma fonte contínua de receita. E não sem motivo: desde o retorno do republicano ao cargo, o orçamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) explodiu. Só em 2025, o valor chegou a quase US$ 400 bilhões, mais que o dobro dos US$ 176 bilhões de 2024. Mesmo com um leve recuo neste ano, o orçamento permanece acima de US$ 330 bilhões.

Esse montante alimenta sobretudo o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e a Patrulha de Fronteira, cada um contemplado com cerca de US$ 80 bilhões adicionais.

Vigilância sem limites

Há quase duas décadas atuando no governo federal, a Palantir consolidou um espaço estratégico na coleta de dados para o ICE. O contrato firmado com o DHS em 2022 rendeu US$ 58 milhões até setembro de 2024. Após o retorno de Trump, o valor mais que dobrou, ultrapassando US$ 139 milhões até setembro de 2025, no ano em que a empresa bateu recorde histórico de contratos com o departamento.

Ela não está sozinha. Ferramentas de rastreamento e identificação têm papel central na ofensiva migratória. O CLEAR, sistema da Thomson Reuters, teve seu contrato de US$ 4 milhões renovado em maio de 2025, permitindo a identificação de alvos a partir de placas de veículos. Já a Clearview AI viu suas receitas federais crescerem significativamente após o fechamento de um novo acordo, que pode alcançar US$ 9 milhões.

A BI² Technologies recebeu US$ 4,6 milhões em 2025 por scanners de retina e ainda fornece ao ICE acesso a seu banco de dados biométrico. O lobby em torno da empresa inclui nomes próximos ao presidente, como Brian Ballard — um dos maiores doadores da campanha —, Pam Bondi e Susie Wiles.

O caso da francesa Capgemini

Empresas estrangeiras também se beneficiam da repressão. A francesa Capgemini, por meio de sua subsidiária americana, assinou um contrato de US$ 4,8 milhões para fornecer serviços de localização de pessoas procuradas. A revelação, feita pelo Observatório das Multinacionais e divulgada pelo canal de televisão France 2, gerou forte repercussão pública. Dias depois, a Capgemini anunciou que colocaria à venda sua subsidiária responsável pelos serviços ao ICE.

Para especialistas, ferramentas desse tipo, quando combinadas, configuram uma "vigilância extrema dos residentes" e apresentam "riscos significativos de abuso", nas palavras da professora Cléa Fortuné, da Sorbonne Nouvelle.

A indústria da deportação

Uma vez identificados os alvos, o trabalho passa a depender de equipamentos de última geração. Empresas como a ADS Tactical, tradicional fornecedora do Departamento de Defesa, assinaram ao menos 34 contratos com o ICE em 2025, somando quase US$ 79 milhões — incluindo US$ 3,8 milhões para a compra de coldres de pistolas Glock, o mesmo modelo usado no assassinato do enfermeiro Alex Pretti.

Gigantes da segurança privada também ganharam espaço. A G4S Solutions firmou contratos multimilionários para transporte e deportação. Mas é a CSI Aviation que domina o setor: a empresa, fundada por Allen Weh, firmou em fevereiro de 2025 um contrato de US$ 33 milhões para operar voos diários de deportação, renovado diversas vezes até ultrapassar US$ 500 milhões.

Prisões cheias, cofres cheios

O aumento das detenções também alimenta corporações especializadas em cárceres privados. O GEO Group, herdeiro de uma empresa criada pelo magnata da segurança George Wackenhut, teve em 2025 seu ano mais lucrativo com o governo, acumulando US$ 791 milhões. Entre os contratos em vigor está um acordo de até US$ 58 milhões para alojar detidos do ICE no centro Delaney Hall, em Newark. No Texas, Louisiana e Califórnia, contratos semelhantes se multiplicam.

A CoreCivic, outra gigante do setor, faturou pelo menos US$ 135 milhões apenas com os contratos assinados em 2025, reforçando a expansão da malha prisional migratória.

Um sistema que Trump amplia, não inaugura

Para Cléa Fortuné, o atual cenário não é totalmente novo. A megaestrutura repressiva montada por Trump se apoia em bases erguidas por governos anteriores. Durante o final do mandato do democrata Joe Biden, por exemplo, empresas privadas ligadas à imigração recebiam, em média, 45 contratos federais por dia. Parte dos lucros hoje registrados não pode ser atribuída exclusivamente ao governo atual.

O que Trump faz, segundo a pesquisadora, é ampliar radicalmente os limites de uma política migratória que se tornou mais dura desde 11 de setembro — e que hoje alimenta, com vigor renovado, um vasto complexo industrial de vigilância, segurança e encarceramento.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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