EUA entram em novo 'shutdown', em meio a impasse sobre orçamento da segurança interna
O governo dos Estados Unidos entrou em uma nova paralisação parcial à meia-noite deste sábado (31), uma situação que deve se prolongar até segunda-feira (2), quando uma votação no Congresso deve resolver o impasse no orçamento americano. Três meses após a paralisação governamental mais longa da história do país, desta vez o bloqueio dos gastos federais é consequência da recusa da oposição democrata em aprovar um orçamento de segurança interna sem que medidas para restringir a aplicação das leis de imigração sejam incluídas.
O Senado, entretanto, aprovou às pressas um projeto de lei orçamentária nesta sexta, o que deve garantir que o "shutdown" seja de curta duração.
A Câmara dos Representantes agora precisa dar seu aval ao projeto, com uma votação esperada para segunda-feira. Ao durar apenas um fim de semana, a paralisação deve ter consequências mínimas, com poucos funcionários públicos sendo colocados em licença não remunerada, ao contrário do último episódio, entre outubro e novembro de 2025.
Em um memorando na noite de sexta-feira, o Escritório de Administração e Orçamento (OMB) da Casa Branca pediu que vários departamentos governamentais implementassem seus planos para uma paralisação do governo, afirmando que "tinha esperança" de que o bloqueio seria breve. Na semana passada, o projeto inicial parecia estar a caminho da aprovação no Senado antes do prazo de 31 de janeiro, mas os eventos do último sábado em Minneapolis mudaram os planos.
O projeto de lei aprovado na sexta-feira, com 71 votos a favor e 29 contra, é resultado de um acordo entre Donald Trump e senadores democratas. Segundo o acordo negociado, os legisladores aprovaram cinco projetos de lei de financiamento pendentes para financiar a maior parte do governo federal até o final do ano fiscal, em setembro.
Pressão por mudanças no ICE
A oposição se recusa a aprovar a proposta orçamentária para o Departamento de Segurança Interna (DHS) sem implementar reformas no Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), que consideram fora de controle após os acontecimentos recentes em Minneapolis. O financiamento para o DHS foi separado e prorrogado por apenas duas semanas por meio de uma medida provisória, com o objetivo de dar tempo aos legisladores para negociar mudanças nas operações do departamento.
Trump respaldou publicamente o acordo e pediu para os legisladores de ambos os partidos o apoiassem, ressaltando o seu desejo de evitar um segundo fechamento de departamentos federais em seu segundo mandato. "A única coisa que pode desacelerar o nosso país é outra paralisação longa e desastrosa do governo federal", declarou o republicano, em sua plataforma Truth Social.
Alguns democratas e analistas políticos interpretaram a flexibilidade da Casa Branca como um reconhecimento de que precisava moderar seu enfoque sobre deportação após as mortes em Minneapolis por agentes federais.
As mortes de Alex Pretti e de Renee Good no norte dos EUA provocaram indignação em todo o espectro político. O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, pediu na sexta-feira, após a votação, negociações com os republicanos para desenvolver medidas "fortes e sensatas" para "conter o ICE" e "acabar com a violência". O senador democrata exige, em particular, o fim das "patrulhas aéreas" e a proibição do uso de máscaras pelos agentes.
"Chega de polícia secreta", declarou ele, em uma coletiva de imprensa.
Segundo shutdown em três meses
Devido às regras do Senado, são necessários 60 dos 100 votos para aprovar um projeto de lei orçamentária, e os republicanos, mesmo detendo a maioria dos assentos, precisaram do apoio de vários senadores da oposição para aprovar sua proposta orçamentária.
Em 2025, republicanos e democratas travaram uma batalha de 43 dias sobre subsídios para planos de saúde, o que levou ao shutdown mais longo já visto no país. Centenas de milhares de funcionários federais foram colocados em licença não remunerada, enquanto outros, cujas funções foram consideradas essenciais, tiveram que continuar trabalhando. Mas todos tiveram que esperar até o fim da paralisação do governo para receber seus salários.
A última paralisação terminou somente quando alguns senadores democratas decidiram votar a favor de um projeto de lei orçamentária elaborado pelos republicanos em troca de promessas de concessões nesses subsídios. A decisão foi duramente criticada por muitos eleitores democratas, que desejavam uma oposição mais forte a Donald Trump.
Com AFP