Com Springsteen, manifestantes fazem novo protesto em Minneapolis, sob críticas de Trump
Milhares de manifestantes voltaram às ruas de Minneapolis nesta sexta-feira (30) para denunciar as operações de imigração e as políticas do governo Trump. Um contingente significativo de policiais mascarados monitorou o protesto.
A indignação provocada pelas mortes de dois manifestantes americanos baleados por agentes federais segue mobilizando o país. Os manifestantes marcharam apesar do frio intenso, de -17°C, com cartazes críticos ao presidente Donald Trump e à agência federal de imigração, o ICE, cujos métodos agressivos são contestados.
"Eu moro aqui (...) e não acho que nosso governo deva nos aterrorizar dessa forma", disse Sushma Santhana, engenheira de 24 anos, à AFP. "Estamos tentando expulsá-los daqui", acrescentou Connie, outra manifestante, referindo-se aos agentes anti-imigração.
Um dos mortos, o enfermeiro Alex Pretti, atingido por dez tiros por agentes do ICE em 24 de janeiro, foi rotulado de "encrenqueiro" por Donald Trump. Em sua plataforma Truth Social, o presidente condenou a "demonstração de violência" do enfermeiro, em um vídeo viral que o mostra resistindo à prisão por agentes federais 11 dias antes de sua morte.
Depois de falar nos últimos dias em "desescalada" e indicar, por meio de seu enviado Tom Homan, que poderia reduzir o número de agentes que realizam batidas em Minneapolis, o líder republicano lançou outro ataque virulento contra os manifestantes nesta sexta-feira: "insurgentes", "agitadores" e "agitadores financiados" por rebeldes "profissionais", declarou ele.
"Não sou paga para estar aqui", ironizou a manifestante Sushma Santhana em Minneapolis, onde a lenda do rock Bruce Springsteen subiu ao palco para cantar uma música em homenagem às vítimas. O cantor, de 76 anos, compôs a canção no sábado, depois da morte de Alex Pretti.
Tom Homan afirmou à Fox News que Donald Trump ainda pretende "prosseguir com a deportação em massa" de imigrantes.
'Putin ficaria orgulhoso', diz Newsom
Dois jornalistas americanos foram presos no contexto da cobertura dos recentes protestos, disse a procuradora-geral Pam Bondi, que se vangloriou no X de ter supervisionado "pessoalmente" a prisão do ex-âncora da CNN Don Lemon. Ele está sendo processado por obstrução da liberdade religiosa por cobrir um protesto em uma igreja em Minnesota, de acordo com o Departamento de Segurança Interna.
Outras pessoas, incluindo um jornalista freelancer, também foram presas. Todos foram liberados, segundo a imprensa americana, embora Don Lemon deva comparecer ao tribunal em Minneapolis no início de fevereiro.
"Não vou parar agora", declarou ele. "Nunca foi tão importante ter uma mídia livre e independente que traga a verdade à tona e responsabilize os poderosos."
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou um "ataque flagrante" à imprensa. Sarcástico e amargo, o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, um dos principais opositores do governo Trump, comentou no X que o presidente russo Vladimir Putin "ficaria orgulhoso" do que está ocorrendo nos Estados Unidos.
O Departamento de Justiça dos EUA anunciou ter aberto uma nova investigação sobre a morte de Alex Pretti, focando na violação de seus direitos fundamentais. A instituição enfatizou que se trata de um procedimento "padrão".
Antes de Alex Pretti, Renee Good, uma mãe de 37 anos, foi morta em 7 de janeiro por um agente do ICE. Os opositores dessa política continuam se mobilizando de Nova York, na costa leste, a Los Angeles, na costa oeste, reunindo cerca de mil pessoas em cada ocasião.
Com informações da AFP