Ong denuncia 'desaparecimento forçado' de migrantes expulsos pelos EUA em El Salvador
A ONG Human Rights Watch (HRW) acusou nesta segunda‑feira (16) o governo do presidente salvadorenho, Nayib Bukele, de promover o "desaparecimento forçado" de pelo menos 11 cidadãos de El Salvador que foram expulsos dos Estados Unidos para o país centro‑americano no ano passado.
Segundo a organização, os salvadorenhos não foram apresentados a um juiz nem tiveram seus paradeiros divulgados, e estariam sendo detidos arbitrariamente em prisões como o mega presídio Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), sem acesso a familiares ou a garantias legais básicas.
A denúncia ocorre em meio a uma política de deportações ampliada pelos Estados Unidos — que, sob a administração de Donald Trump, retomou a expulsão de migrantes sob leis como o Alien Enemies Act — e à colaboração de El Salvador em reter pessoas enviadas por Washington.
Condenação sem provas
Segundo o relatório, nem as autoridades norte-americanas nem as salvadorenhas apresentaram provas de que os deportados sejam membros de gangues criminosas, como a MS‑13, como foi alegado.
A HRW afirma que a prática de negar informações sobre o destino e a situação legal desses migrantes caracteriza um "vazio" jurídico, deixando famílias isoladas e levantando graves questões de direitos humanos. A organização exige que o governo salvadorenho revele onde essas pessoas estão sendo mantidas e sob que condições.
Especialistas em direitos humanos também têm relatado que a política de estado de emergência em El Salvador, implementada por Bukele para combater a violência de gangues, ampliou práticas como detenções arbitrárias, tortura e desaparecimentos forçados, o que chegou a ser qualificado por um grupo de juristas como potencial crime contra a humanidade.
Com agências