EUA pressionam aliados enquanto cresce incerteza sobre estado de saúde de líder iraniano
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (16) na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou não saber se o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está vivo. O dirigente iraniano não aparece em público desde sua nomeação, após ter sido ferido em ataques aéreos.
Antes de uma reunião no Kennedy Center, em Washington, Trump convocou uma breve coletiva de imprensa na qual retomou críticas ao acordo nuclear com o Irã e respondeu a perguntas sobre a guerra, que já dura 17 dias.
Ao comentar sobre Mojtaba Khamenei, o presidente norte-americano reforçou a incerteza em torno de seu estado de saúde. Segundo ele, há relatos contraditórios sobre a condição do líder iraniano — que variam de ferimentos graves à hipótese de morte — e nenhuma indicação de que estaria saudável.
Apoio dos aliados
Trump também voltou a pressionar aliados europeus a reforçarem a segurança no Estreito de Ormuz. Ele acusou alguns países de não quererem se envolver na proteção do corredor estratégico para o comércio global de petróleo. França e Reino Unido, segundo o presidente, deveriam responder positivamente ao pedido de Washington para cooperar na região.
O presidente afirmou ter discutido o tema com Emmanuel Macron no dia anterior e considerou que a resposta do líder francês "não foi perfeita", embora tenha dito acreditar que Paris acabará por contribuir. Em relação ao Reino Unido, Trump declarou esperar um posicionamento mais firme. Ainda assim, reforçou que os Estados Unidos não dependem de outros países para garantir a segurança marítima, mas que aliados — especialmente os membros da Otan — deveriam aproveitar a oportunidade para apoiar Washington, dado o histórico de assistência norte-americana ao bloco.
Na Casa Branca, Trump criticou a falta de engajamento internacional. "Durante 40 anos, protegemos vocês, e vocês não querem se envolver em algo tão insignificante", afirmou, pedindo entusiasmo e rapidez na cooperação internacional.
Apesar do apelo, Reino Unido e Alemanha descartaram nesta segunda-feira qualquer missão da Otan para restabelecer o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Japão e Austrália, aliados dos EUA na região do Indo-Pacífico, também já haviam rejeitado enviar recursos para apoiar operações na área.
Missão Aspides não irá ao Estreito de Ormuz
Reunidos em Bruxelas, os ministros das Relações Exteriores da União Europeia descartaram nesta segunda-feira a possibilidade de enviar a missão europeia de proteção ao tráfego marítimo, Aspides, para o Estreito de Ormuz, segundo informou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. "Ninguém quer participar ativamente dessa guerra", declarou após o encontro. Ela acrescentou que, "por enquanto, não há intenção de alterar o mandato da Operação Aspides".
A missão naval, composta por três navios de guerra e atualmente posicionada no Mar Vermelho, foi concebida para proteger embarcações comerciais de ataques dos rebeldes houthis — aliados do Irã — naquela região. Qualquer deslocamento para o Estreito de Ormuz exigiria a revisão formal de seu mandato original.
Com AFP