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Manifestantes atacam escritório do Partido Comunista em Cuba, em rara revolta contra apagões

De acordo com jornal estatal, manifestantes protestavam contra os cortes de energia e a escassez de alimentos

14 mar 2026 - 13h19
(atualizado às 14h31)
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Bandeira cubana: manifestantes invadiram sede do Partido Comunista
Bandeira cubana: manifestantes invadiram sede do Partido Comunista
Foto: Robin Canfield/Unsplash / Flipar

Manifestantes antigoverno atacaram um escritório do ‌Partido Comunista na região central de Cuba na madrugada deste sábado, informou um jornal estatal, em uma rara explosão de dissidência pública desencadeada por apagões exacerbados por um bloqueio de petróleo dos EUA.

Uma manifestação contra os cortes de energia e a escassez de alimentos parecia ter começado pacificamente na cidade de Morón, na ⁠noite de sexta-feira, mas se tornou violenta nas primeiras horas da manhã de ‌sábado, informou o jornal Invasor.

Vídeos nas mídias sociais mostraram um grande incêndio e pessoas jogando pedras nas janelas de um prédio enquanto manifestantes gritavam "liberdade" ao fundo.

A ‌Reuters conseguiu verificar a localização de um vídeo ‌em Morón, que fica na costa norte de Cuba, a cerca de 400 ⁠km a leste da capital Havana, perto do resort turístico de Cayo Coco. As verificações mostraram que o vídeo era recente, mas não foi possível identificar a data exata.

BLOQUEIO DOS EUA

Os Estados Unidos (EUA) apertaram o cerca contra Cuba desde a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro -- o mais importante benfeitor estrangeiro de ‌Cuba -- em janeiro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, cortou as remessas de petróleo venezuelano ‌para Cuba e ameaçou impor ⁠tarifas a qualquer ⁠país que vendesse petróleo para Cuba, aumentando a pressão sobre uma economia que já está ⁠lutando contra a escassez de alimentos, combustível, ‌eletricidade e medicamentos.

Nas últimas semanas, ‌Trump fez uma série de declarações, dizendo que Cuba está à beira do colapso ou ansiosa para fazer um acordo com os EUA. O governo de Cuba disse na sexta-feira que havia iniciado conversações com Washington ⁠para tentar neutralizar a crise.

Os protestos públicos, especialmente os violentos, são extremamente raros em Cuba. Sua constituição de 2019 concede aos cidadãos o direito de se manifestar, mas uma lei que define mais especificamente esse direito está parada no Congresso, deixando aqueles que saem às ruas ‌em um limbo legal.

"O que inicialmente começou de forma pacífica, e depois de uma troca com as autoridades locais, transformou-se em atos de vandalismo contra a ⁠sede do Comitê Municipal do Partido", disse o jornal Invasor.

"Um grupo menor de pessoas apedrejou a entrada do prédio e ateou fogo na rua com móveis da área de recepção", acrescentou.

Os vândalos atacaram vários outros estabelecimentos estatais na área, incluindo uma farmácia e um mercado do governo, segundo o jornal.

Na segunda-feira, estudantes fizeram uma manifestação nas escadarias da Universidade de Havana depois que o governo suspendeu as aulas presenciais, culpando o bloqueio de petróleo dos EUA. A escassez de combustível reduziu enormemente o transporte público, tornando difícil, se não impossível, que professores e alunos se reúnam para as aulas.

Morón também foi o local de protestos significativos durante os distúrbios antigovernamentais em 11 de julho de 2021, os maiores desde a revolução de Fidel Castro em 1959.

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