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América Latina

México: prefeito é assassinado no Estado do massacre

29 ago 2010 - 21h12
(atualizado às 22h34)
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O prefeito do município mexicano de Hidalgo, no Estado de Tamaulipas (nordeste), onde na terça-feira ocorreu o massacre de 72 imigrantes, foi assassinado neste domingo, informou à AFP um funcionário da procuradoria estadual. "Acabam de matar o presidente municipal (prefeito) de Hidalgo", Marco Antonio Leal García, disse à AFP o funcionário da Procuradoria Geral de Justiça do Estado de Tamaulipas, que pediu para não ser identificado.

Policiais inspecionam os destroços de um carro que explodiu perto da sede da rede de televisão Televisa, em Victoria
Policiais inspecionam os destroços de um carro que explodiu perto da sede da rede de televisão Televisa, em Victoria
Foto: Reuters

Leal García, 49 anos, foi morto a tiros quando se deslocava por uma estrada de Hidalgo vindo de seu rancho. O prefeito viajava com sua filha, de 4 anos, que ficou gravemente ferida.

No dia 12 de agosto passado, o ex-prefeito de Hidalgo Cesareo Rocha Villanueva foi gravemente ferido em um atentado. Em 18 de março, a sede da prefeitura de Hidalgo sofreu um atentado com granadas que matou um policial.

Hidalgo, cidade de 24 mil habitantes, está no centro do Estado de Tamaulipas, a 90 km da capital, Ciudad Victoria. É o local onde, na terça, foram encontrados os corpos de 72 imigrantes ilegais, no município de San Fernando, a 180 km da fronteira com os Estados Unidos. Depois disso, uma série de ataques com bombas atingiu o Estado.

Quatro dispositivos explodiram na região num intervalo de apenas 24 horas, deixando 17 feridos. As explosões pareciam ter como alvo locais ligados a investigação das mortes dos 72 imigrantes e, de acordo com correspondentes, a aparência é de que criminosos estão tentando paralisar os trabalhos para recolhimento de provas dos crimes.

Los Zetas

A polícia afirma que os ataques tem todas as marcas registradas de ações realizadas pelo grupo de narcotraficantes Los Zetas, um dos cartéis mais violentos do México e apontado como o responsável pelas mortes dos imigrantes. Após o massacre, o governo federal deflagrou uma grande operação militar e policial em Tamaulipas.

Até o momento, as autoridades mexicanas conseguiram identificar apenas 31 entre os 72 mortos. De acordo com a Procuradoria Geral de Justiça do México, foram identificados um brasileiro, 14 hondurenhos, 12 salvadorenhos e quatro guatemaltecos. As autoridades mexicanas também encontraram o passaporte de um brasileiro entre os objetos das vítimas.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o corpo do brasileiro Juliard Aires Fernandes, 20 anos, foi identificado entre as vítimas. Os documentos de Hermínio Cardoso dos Santos, 24 anos, foram encontrados na fazenda em Reynosa, onde ocorreu o massacre. No entanto, o corpo desta segunda vítima ainda não foi identificado.

Um sobrevivente da chacina, o equatoriano identificado apenas como Freddy, afirmou à polícia que os 58 homens e 14 mulheres estavam tentando ir para os Estados Unidos quando foram sequestrados pelo grupo de criminosos e mortos a tiros quando se recusaram a trabalhar para eles.

O sobrevivente está sob proteção em um hospital militar da Cidade do México. No entanto, um promotor que liderava a investigação sobre as mortes está desaparecido desde a quarta-feira. Magistrados mexicanos afirmam que temem pela segurança de Roberto Suarez, que sumiu junto com um policial que o acompanhava.

Com informações da BBC Brasil

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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