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América Latina

Trump ameaça vinhos franceses com tarifa de 200% se Macron negar adesão ao 'Conselho da Paz'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as tensões comerciais com a França ao ameaçar, nesta segunda-feira (19), a imposição de uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, nesta terça-feira (20), considerou a ameaça como "inadmissível".

20 jan 2026 - 06h04
(atualizado às 07h05)
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Presidente dos EUA, Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA
5 de maio de 2025 
REUTERS/Leah Millis
Presidente dos EUA, Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA 5 de maio de 2025 REUTERS/Leah Millis
Foto: Reuters

A medida é apresentada como uma retaliação direta se o presidente Emmanuel Macron recusar o convite de integrar o recém-proposto "Conselho da Paz", iniciativa de Trump que pretende rivalizar com as Nações Unidas na resolução de conflitos globais.

Em entrevista à emissora TF1, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, classificou a ameaça como "inadmissível" e de uma "brutalidade inédita". Segundo a ministra, o comportamento de Trump exige uma reação conjunta da França e dos demais países europeus.

A França é a principal potência agrícola da Europa e, com a Itália, um dos maiores países produtores de vinho do mundo. Os Estados Unidos são o principal mercado de exportação da França, que sozinha responde por metade das exportações de vinho da União Europeia. Em 2024, a França exportou € 2,4 bilhões em vinho e € 1,5 bilhão em bebidas destiladas para os Estados Unidos (cerca de 25% de suas exportações).

O projeto de Trump prevê um órgão com funcionamento paralelo à ONU, onde os convites para países aliados teriam validade de três anos. No entanto, documentos consultados pela imprensa revelam que a obtenção de um assento permanente no conselho exigiria uma contribuição de US$ 1 bilhão.

O governo brasileiro foi convidado a participar da iniciativa, mas ainda não se manifestou.

Recusa francesa

Uma fonte próxima do governo de Macron disse à AFP que a França, na condição de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, não pretende aderir ao novo grupo, citando a necessidade de respeitar os princípios e a estrutura das Nações Unidas.

Ao ser questionado por jornalistas em Washington sobre a recusa francesa, Trump ironizou a liderança de Macron. "Ele disse isso? Bem, ninguém quer ele, porque ele estará em breve sem mandato", afirmou o presidente antes de embarcar para o Fórum Econômico Mundial em Davos. Trump acrescentou que a imposição das tarifas seria uma forma de "convencer" o homólogo francês a ceder.

O novo embate ocorre em um clima de crescente animosidade diplomática. No final de semana anterior ao anúncio, Trump já havia ameaçado sobretaxar diversos países europeus, incluindo a França, devido à oposição à sua intenção de anexar a Groenlândia.

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