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Justiça dos EUA volta a acusar Meta de projetar Facebook e Instagram para viciar menores nas redes

Menos de um mês depois de voltar ao banco dos réus, a Meta enfrentará a partir desta quarta-feira (12), em um tribunal federal da Califórnia, o processo mais ambicioso já movido nos Estados Unidos contra suas redes sociais. Impulsionada pelas revelações dos "Facebook Files", a ação sustenta que Facebook e Instagram foram concebidos para manter adolescentes conectados pelo maior tempo possível.

12 ago 2026 - 13h25
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Loubna Anaki, correspondente da RFI em Nova York, com agências

Adolescentes posam para uma foto segurando smartphones diante de um logotipo do Instagram nesta imagem ilustrativa produzida em 11 de setembro de 2025.
Adolescentes posam para uma foto segurando smartphones diante de um logotipo do Instagram nesta imagem ilustrativa produzida em 11 de setembro de 2025.
Foto: REUTERS - Dado Ruvic / RFI

Baseada nas revelações conhecidas como "Facebook Files", a ação pode representar uma ameaça sem precedentes para a empresa: procuradores estaduais pedem penalidades que chegam a US$ 1,4 trilhão, valor próximo ao da capitalização de mercado do grupo.

O caso será analisado por um tribunal federal em Oakland, na Califórnia, um fato inédito para a controladora de Facebook e Instagram. A etapa inicial consiste na seleção dos jurados, enquanto os debates propriamente ditos estão programados para começar em 18 de agosto e devem se estender por cerca de seis semanas, até o fim de setembro.

Embora o júri participe da análise das acusações, a palavra final sobre eventuais punições caberá à juíza Yvonne Gonzalez Rogers, responsável por definir possíveis multas e medidas corretivas caso a empresa seja considerada responsável.

O julgamento é conduzido por procuradores-gerais dos estados da Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey. Eles sustentam que a Meta desenvolveu recursos específicos para manter adolescentes conectados por períodos cada vez mais longos, mesmo conhecendo os riscos associados ao uso intenso de suas plataformas.

O depoimento de Mark Zuckerberg é um dos momentos mais aguardados do processo. O fundador da empresa deverá ser chamado a explicar decisões tomadas ao longo dos anos em relação ao funcionamento das redes sociais controladas pelo grupo.

O caso ocorre em meio a uma crescente pressão política, regulatória e judicial sobre as grandes plataformas digitais, especialmente no que diz respeito à proteção de menores de idade.

"Facebook Files" no centro da acusação

A origem do processo remonta a uma série de investigações abertas após as revelações feitas por Frances Haugen, ex-funcionária da empresa. Em 2021, ela divulgou milhares de documentos internos que ficaram conhecidos como "Facebook Files". O material expôs discussões realizadas dentro da companhia sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental de adolescentes e jovens usuários.

Os procuradores afirmam que esses documentos mostram que a Meta tinha conhecimento dos potenciais impactos negativos de suas plataformas, mas minimizava ou negava publicamente a dimensão do problema. A ação judicial sustenta que determinados elementos centrais do Facebook e do Instagram foram concebidos para estimular o engajamento contínuo dos usuários mais jovens.

Entre os recursos questionados estão a rolagem infinita de conteúdo, as notificações enviadas durante a noite e os mecanismos de curtidas e validação social que incentivariam retornos frequentes aos aplicativos.

Os autores do processo argumentam que o foco da ação não está no conteúdo publicado nas redes, mas na arquitetura das plataformas e nos instrumentos utilizados para estimular a permanência dos usuários.

Meta contesta acusações

A empresa deverá contestar a tese apresentada pelos estados. Segundo a estratégia jurídica antecipada por seus advogados, a Meta pretende argumentar que problemas relacionados à saúde mental de adolescentes não podem ser atribuídos a uma única plataforma digital.

Outro ponto da defesa deve ser a contestação da própria noção de dependência associada às redes sociais. A empresa sustenta que o chamado "uso problemático" das plataformas não corresponde necessariamente a uma condição médica reconhecida como vício.

A disputa deverá colocar em confronto especialistas em saúde mental, pesquisadores da área digital, executivos da empresa e autoridades envolvidas na elaboração de políticas públicas.

A expectativa é que o julgamento examine com profundidade documentos internos, pesquisas corporativas e decisões tomadas por dirigentes da Meta ao longo de vários anos.

O resultado poderá influenciar futuras ações judiciais contra empresas de tecnologia nos Estados Unidos e em outros países. O julgamento iniciado nesta semana é visto por especialistas como um dos mais importantes já enfrentados pela empresa desde sua criação.

Mais do que uma disputa financeira, o caso poderá ajudar a definir até que ponto companhias de tecnologia podem ser responsabilizadas pelo design de seus produtos e pelos efeitos que essas escolhas produzem sobre usuários menores de idade.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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