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América Latina

México faz expurgo e expulsa 3,2 mil agentes federais

30 ago 2010 - 16h24
(atualizado às 16h40)
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A Polícia Federal mexicana, uma das corporações que lidera a luta contra o crime organizado no país junto ao Exército e a Marinha, anunciou nesta segunda-feira o fim de um processo de "depuração" de 9,2% de seu elenco, que resultou no maior expurgo desde que o presidente Felipe Calderón chegou ao poder.

A saída dos 3,2 mil agentes acontece logo após a primeira fase de um processo que pode reduzir mais ainda o pessoal desta instituição, já que outros 1.020 policiais não puderam passar nos "exames de controle de confiança" e estão perto de serem expulsos.

Além disso, há 465 "elementos consignados perante o Conselho Federal de Desenvolvimento Policial" que também podem ter sua carreira como servidores públicos encerrada mais cedo, explicou hoje o delegado geral da Polícia Federal, Facundo Rosas.

Precisamente, neste último grupo estão quatro dos comandantes policiais de Ciudad Juárez. Eles foram acusados de corrupção por seus subordinados e substituídos no dia 7 de agosto, assim como os 250 agentes que se insubordinaram contra eles em um vergonhoso espetáculo divulgado em todo o mundo.

Com o expurgo e as expulsões anunciadas nesta segunda-feira a Polícia Federal fica com 31,3 mil agentes ativos frente aos 34,5 mil com os quais contava antes.

Rosas detalhou que desde o dia 18 de maio, quando o novo regulamento da Polícia Federal entrou em vigor, começou um "processo permanente" de depuração que utiliza novos instrumentos jurídicos contidos na Lei da Polícia Federal e na Lei Geral do Sistema de Segurança Pública.

O funcionário ressaltou que o expurgo faz parte de um trabalho que vai permitir "revisar" o pessoal, seus protocolos e suas formas de trabalho a fim de transformar a corporação em uma instituição modelo.

Os policiais cortados estão em "todas as áreas" da Polícia e ficam automaticamente vetados de fazer parte de outras corporações estatais, estaduais ou municipais.

As sanções estão dentro do sistema Plataforma México, que pretende servir como um primeiro filtro e teoricamente impedir as contratações de agentes, além de compartilhar informações do governo federal sobre a criminalidade com os 32 estados do país.

A instituição ressalta que esta atenta à possibilidade de que alguns deles possam se envolver em alguma atividade ilícita e teme que eles façam mal uso de seus conhecimentos como policiais.

Em declarações à agência EFE, Edna Jaime, diretora geral do México Evalúa - um centro de pesquisa especializado em medir a eficácia e a qualidade da gestão governamental através da observação constante dos resultados das políticas públicas - considerou a medida positiva uma prova de que a profissionalização dos corpos de Polícia no país está sendo levada a sério.

No entanto, defendeu que o expurgo acontece em um momento em que o Governo de Calderón "está em uma situação extremamente delicada porque o tema da violência está fora de controle em algumas regiões, e sua intervenção em Ciudad Juárez não está dando resultados".

Segundo Jaime, por enquanto "não há nenhum indicador" que permita afirmar que a estratégia de combate frontal do crime organizado lançada pelo líder em dezembro de 2006 "está dando resultados", nem em assuntos como o sequestro, a extorsão e os homicídios, nem na incidência criminosa em geral.

A Secretaria de Segurança Pública federal (SSP) passou anos tratando erradicar a corrupção da Polícia Federal e buscando um elenco de agentes federais mais confiáveis.

Desde a sua chegada, Calderón impulsionou uma estratégia de combate frontal ao crime organizado com as Forças Armadas na vanguarda e o apoio da Polícia Federal, que depende da SSP.

Até o momento, esta política não serviu para reverter a onda de violência que afeta o país e que deixou mais de 28 mil mortos desde que o líder assumiu o poder no dia 1º de dezembro de 2006.

Os resultados mais importantes, segundo a México Evalúa, concentram-se na captura de chefes das organizações criminosas, mas isso não impediu que a violência se intensifique.

EFE   
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