Com bloqueio de oleoduto na Ucrânia, Hungria e Eslováquia querem importar petróleo russo via Croácia
Países sem litoral, a Hungria e a Eslováquia pediram, nesta segunda-feira (16), à Croácia que transporte petróleo russo através do oleoduto Adria. A principal rota de passagem, o oleoduto Droujba, que passa pela Ucrânia, está bloqueada.
Pierre Olivier, da RFI em Paris
"Pedimos à Croácia que dê sinal verde para a entrega de petróleo russo à Hungria e à Eslováquia através do oleoduto Adria", escreveu o ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, em sua conta no X nesta segunda-feira. Ele também menciona um "desafio de segurança energética" para os dois países.
Desde 27 de janeiro, as tensões aumentaram em torno da reativação do oleoduto Droujba, que até então transportava petróleo russo para Budapeste e Bratislava, passando pela Ucrânia. No entanto, Kiev acusa Moscou de ter bombardeado o oleoduto durante ataques em seu território.
A Hungria e a Eslováquia, por sua vez, acusam os ucranianos de retardar a reativação do oleoduto, embora ele já tenha sido reparado. Um oleoduto, aliás, vital para esses dois países sem litoral da União Europeia: 80% do consumo de petróleo húngaro passa pelo Droujba.
Cenário geopolítico
De acordo com a Hungria e a Eslováquia, a União Europeia estaria usando o oleoduto Droujba para pressionar a Hungria. Até agora, Budapeste, que manteve uma proximidade com Moscou e com Donald Trump, se opõe à adesão da Ucrânia ao bloco europeu.
Na mesma linha de seu vizinho, o primeiro-ministro eslovaco, Robert Fico, considera que a reativação do oleoduto seria usada para fins políticos: "Vejo o que está acontecendo hoje em torno do petróleo como uma forma de chantagem política contra a Hungria devido à sua posição inflexível sobre a adesão da Ucrânia à União Europeia", declarou ele.
Sem fornecer provas, Fico afirma que a Europa só dará o aval para a reativação do oleoduto se a Hungria desistir de sua oposição à adesão da Ucrânia. Nesta segunda-feira, em um comunicado, Moscou afirmou apoiar essas alegações.
Croácia como plano B
Embora a medida acabe encarecendo o processo, Budapeste e Bratislava pediram à Croácia que autorize o transporte de petróleo via o oleoduto do Adriático. Um outro oleoduto, embora menos potente, mas que permitiria à Hungria e à Eslováquia diversificar seus fornecimentos de petróleo bruto. Ou seja, tornarem-se menos dependentes da Ucrânia.
Desde o ano passado, Budapeste e Bratislava obtiveram isenção das sanções americanas e derrogações europeias sobre as importações de gás e petróleo russos, devido ao seu isolamento geográfico.
Ficar sem o Droujba
No entanto, todos os países europeus que também eram abastecidos pelo Droujba abandonaram esse oleoduto. É o caso de outro país sem litoral, a República Tcheca, que também fechou a válvula. Com exceção da Hungria e da Eslováquia, que optaram por manter o abastecimento de petróleo russo, os outros países da União Europeia se voltaram para rotas alternativas, muitas vezes mais caras. Um exemplo é via superpetroleiros e grandes importações de GNL (Gás Natural Liquefeito), principalmente dos Estados Unidos.
Enquanto aguarda uma possível reativação, esse é, de qualquer forma, um golpe para o oleoduto Droujba, que é o mais longo do mundo. Com mais de 4 mil quilômetros de extensão, este oleoduto vai da Rússia até o centro da União Europeia. Colocado em operação em 1963, ele representava a unidade socialista entre Moscou e seus satélites. Hoje, Droujba se tornou o símbolo de uma fratura no coração da Europa, entre antigos países soviéticos. Um paradoxo, considerando que em russo, Droujba significa amizade.