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De Sanders a Mamdani: socialistas ressurgem fortalecidos antes das eleições de meio de mandato nos EUA

Com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, os democratas podem recuperar o controle do Congresso, devido, em grande parte, a candidatos progressistas e até mesmo socialistas. Um movimento em ascensão, que por muito tempo esteve adormecido pelo legado da Guerra Fria.

29 out 2026 - 14h16
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Resumo
Impulsionados pela vitória de Zohran Mamdani em Nova York e pelo legado de Bernie Sanders, os Socialistas Democráticos da América (DSA) vivem uma expansão histórica, saltando para 150 mil membros. Concorrendo sob a legenda democrata, a organização apoia mais de 130 candidaturas no país, incluindo prefeituras estratégicas como Los Angeles e Washington. O pleito testará a força eleitoral da esquerda contra o desgaste democrata e os ataques republicanos, que ainda exploram o estigma anticomunista.

Loubna Anaki, correspondente da RFI em Nova York

Desde a vitória de Zohran Mamdani na prefeitura de Nova York, em novembro de 2025, os socialistas norte-americanos parecem acreditar, mais do que nunca, em suas chances eleitorais. Haverá candidatos em mais de uma dezena de disputas por todo o país na próxima semana, algo raro nas últimas décadas.

Para entender melhor, é preciso voltar mais de um século na história norte-americana. Nos Estados Unidos, o socialismo é associado a uma figura de origem francesa: Eugène Debs. Filho de imigrantes, ele participou da fundação, em 1901, do Partido Socialista da América (PSA), pelo qual concorreu à presidência cinco vezes, sem conseguir ser eleito.

Apesar do insucesso eleitoral, naquela época, as ideias do partido inspiraram alguns presidentes, como Franklin Roosevelt, na elaboração do seu "New Deal", política intervencionista durante seu governo para lutar contra os efeitos da Grande Depressão dos anos 1930, nos EUA.

Mas, com o macarthismo nas décadas de 1940 e 1950, os comunistas passaram a ser perseguidos, e os socialistas, por sua vez, foram forçados a se esconder. O PSA acabou sendo desmantelado na década de 1970, já no contexto da Guerra Fria, entre EUA e União Soviética, que durou até 1991.

Os termos "comunista" e "socialista" tornaram-se sinônimos de terror, sendo associados pelas autoridades norte-americanas aos soviéticos, adversários ideológicos dos norte-americanos durante este período.

Renascimento sob forma moderna

Foi preciso esperar até 1982 para ver o movimento socialista renascer em sua forma moderna: o DSA, ou Democratic Socialists of America (Socialistas Democráticos da América, na tradução para o português).

Contudo, o DSA não constitui um partido político propriamente dito. Trata-se de uma organização, cujos membros se candidatam sob a legenda democrata. Frequentemente, são, na verdade, democratas apoiados pelo DSA por defenderem ideias semelhantes, como a cobertura universal de saúde e a tributação dos mais ricos e das grandes empresas.

O então candidato a prefeito de Nova York, Zohran Mamdani (ao centro), o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez ao final de uma ação de campanha no Queens, em 2025.
O então candidato a prefeito de Nova York, Zohran Mamdani (ao centro), o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez ao final de uma ação de campanha no Queens, em 2025.
Foto: RFI

Embora seja um dos principais expoentes do socialismo nos Estados Unidos, Bernie Sanders não faz parte oficialmente do DSA. Entretanto, o veterano da política norte-americana, conhecido por sua franqueza, contribuiu significativamente para dar um novo fôlego aos Democratic Socialists of America. 

Candidato à presidência em 2016, ele apresentou o socialismo como um projeto positivo, conseguindo conquistar muitos jovens.

Antes da campanha presidencial de Sanders, o DSA contava com 6 mil membros. Hoje, dez anos depois, são cerca de 150 mil. Entre seus quadros estão Zohran Mamdani, atual prefeito de Nova York, e as deputadas Rashida Tlaib e Alexandria Ocasio-Cortez, esta última apontada como uma das principais candidatas para a eleição presidencial de 2028.

Crescimento dentro do movimento democrata

Ao todo, cerca de 131 candidaturas nas eleições de 3 de novembro contam com o apoio do DSA, uma consequência direta de quase seis anos de "trumpismo", bem como do distanciamento do Partido Democrata em relação à sua base.

Somam-se a isso a disparada do custo de vida, as desigualdades e a violência policial, fatores que levam uma parcela do eleitorado de esquerda a se voltar para as ideias defendidas pelos candidatos socialistas.

Em Nova York, a vitória de Zohran Mamdani incentivou outros a assumirem o rótulo de socialista. Na terça-feira, haverá, por exemplo, uma candidata do DSA, Nithya Raman, concorrendo à prefeitura de Los Angeles, e outra, Janeese Lewis George, à prefeitura de Washington, sem contar ainda os candidatos ao Congresso.

Estas eleições serão um verdadeiro teste tanto para o DSA quanto para o Partido Democrata. Afinal, uma vitória em Nova York não equivale a uma vitória em estados republicanos, como a Flórida, territórios onde a palavra "socialismo" ainda carrega, até hoje, a imagem que tinha na década de 1940.

Os republicanos e Donald Trump, aliás, não perderam a oportunidade de tentar, com frequência, ressuscitar a narrativa do "fantasma do comunismo" para atacar esses candidatos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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