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EUA: subúrbios de Dallas e Fort Worth no Texas se tornam campo de batalha das eleições de meio de mandato

No Texas, reduto republicano há décadas, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos estão mais incertas do que o previsto. A disputa promete ser acirrada nos subúrbios da região metropolitana de Dallas-Fort Worth, especialmente nos condados de Dallas, Tarrant, Collin e Denton. Juntos, eles concentram mais de sete milhões de habitantes, em um estado com quase 32 milhões de pessoas.

27 out 2026 - 16h52
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Resumo
Os subúrbios de Dallas-Fort Worth viraram um campo de batalha decisivo nas eleições de meio de mandato no Texas. Tradicionalmente conservadora, a região sofre mudanças demográficas que atraem eleitores liberais, acirrando disputas antes garantidas para os republicanos, como a vaga ao Senado e o governo estadual. Apesar do forte apoio de Donald Trump a nomes controversos como Ken Paxton, o avanço democrata de James Talarico nas pesquisas expõe a crescente fragilidade republicana no estado.

Pierre Fesnien, enviado especial da RFI a Denton

Ao entrar na sede do Partido Republicano em Denton, os visitantes dão de cara com uma réplica de papelão de Donald Trump em tamanho real. Embora o nome do presidente americano não esteja nas cédulas destas eleições de meio de mandato e sua popularidade esteja em níveis historicamente baixos, é nele que o Partido Republicano continua apostando para conquistar os eleitores.

"Ele terá uma grande influência nestas eleições", afirma Melinda Preston, líder do partido em Denton, condado com pouco mais de um milhão de habitantes ao norte de Dallas e Fort Worth.

"É um presidente que vai direto ao ponto. Por isso, acredito que exerça uma influência considerável. É também por esse motivo que ele viaja por diferentes estados para fazer campanha. É algo bastante raro e, é preciso dizer, a dimensão de sua campanha é absolutamente impressionante", acrescenta.

Em um estado tradicionalmente alinhado aos republicanos, o otimismo habitual em relação ao resultado das eleições deu lugar à incerteza. A disputa por uma vaga no Senado federal está particularmente acirrada.

O democrata James Talarico aparece com frequência à frente do republicano Ken Paxton nas pesquisas de intenção de voto. Já o governador republicano Greg Abbott enfrenta uma campanha especialmente difícil na tentativa de conquistar um quarto mandato, tendo como adversária a democrata Gina Hinojosa.

Uma réplica de papelão em tamanho real do presidente americano Donald Trump nas instalações do Partido Republicano de Denton.
Uma réplica de papelão em tamanho real do presidente americano Donald Trump nas instalações do Partido Republicano de Denton.
Foto: RFI

Visita de Trump

No início de outubro, Trump visitou Denton, onde fez um discurso em uma fábrica de caminhões e reforçou seu apoio a Ken Paxton.

Se o presidente está tão empenhado em fazer campanha em estados onde antes considerava a vitória praticamente garantida, é porque os republicanos enfrentam dificuldades eleitorais.

Nas eleições presidenciais de 2024, quase um quarto dos votos contabilizados no Texas veio dos condados de Dallas, Tarrant, Collin e Denton. A região, portanto, tem peso significativo nas disputas eleitorais do estado. Já o condado de Harris, onde fica Houston, tem um histórico de apoio aos democratas. Independentemente da legenda, republicana ou democrata, os candidatos precisam conquistar os eleitores dos subúrbios de Dallas-Fort Worth para ampliar suas chances de vitória.

"É uma região crucial, porque precisamos compensar a tendência democrata. De certa forma, os votos acabam se anulando. Para qualquer candidato que queira vencer, essa região é fundamental. Isso é um fato", afirma Melinda Preston.

Dos quatro condados que concentram a disputa nos subúrbios de Dallas-Fort Worth, Denton é o mais conservador. Mas o rápido crescimento populacional vem diluindo a vantagem republicana. Entre as 15 cidades americanas que mais ganham habitantes a cada ano, cinco ficam no norte do Texas.

Denton é uma delas. Entre 2020 e 2025, sua população aumentou cerca de 21%, passando de aproximadamente 140 mil para 169 mil habitantes, segundo o Censo americano.

Inflação não é preocupação

A principal preocupação dos republicanos na região não é a reação dos eleitores à inflação galopante, à alta dos preços da gasolina ou à guerra no Irã.

"Os preços da gasolina servem como um alerta", admite Melinda Preston. "Mas acredito que as pessoas sabem que esses preços flutuam e que voltarão ao normal", avalia.

A verdadeira preocupação dos republicanos, segundo ela, está na transformação do perfil demográfico e político do condado.

"Temos duas universidades em Denton. Muitas pessoas se mudam para cá a cada ano e, frequentemente, são pessoas com uma sensibilidade mais liberal, mais favoráveis aos democratas. Isso não é bom para nós", afirma.

É por isso que os candidatos percorrem essa região estratégica em busca de votos. O democrata James Talarico esteve na área três vezes em outubro e ainda deve realizar um comício em Dallas no dia 29. Seu adversário, Ken Paxton, promoveu no domingo (25) seu quarto evento na região desde setembro.

Para manter a vantagem republicana em Denton, no entanto, o partido também precisa vencer no condado de Tarrant, onde fica Fort Worth e que tem mais de 2,2 milhões de habitantes.

Nas eleições de 2018 e 2020, os democratas venceram por uma margem estreita em Tarrant, antes de o condado voltar a votar majoritariamente nos republicanos em 2022 e 2024. Se os democratas conseguirem retomar o condado, poderão ficar à frente nos cinco condados mais populosos do Texas, o que ampliaria suas chances de conquistar uma vaga no Senado.

A líder do Partido Republicano de Denton, Melinda Preston, em 22 de outubro de 2026.
A líder do Partido Republicano de Denton, Melinda Preston, em 22 de outubro de 2026.
Foto: RFI

Paxton não seria o melhor candidato para Senado 

A maior preocupação dos republicanos nesta eleição, porém, pode estar no próprio candidato escolhido para disputar a vaga no Senado. Na reta final das primárias republicanas, Trump declarou apoio ao ultraconservador Ken Paxton, que concorria contra o senador em exercício John Cornyn, apesar dos escândalos envolvendo o procurador-geral do Texas.

O divórcio de Paxton, motivado por adultério, ganhou ampla repercussão no estado. Ele também enfrentou um processo de impeachment aberto pela Câmara dos Representantes do Texas, de maioria republicana, em 2023, após acusações de que teria usado o cargo de procurador-geral para favorecer um investidor do setor imobiliário.

Embora tenha sido afastado temporariamente de suas funções durante o processo, Paxton acabou absolvido pelo Senado estadual.

Alguns republicanos temem que o histórico controverso do candidato afaste eleitores do próprio partido, especialmente os mais apegados aos valores morais conservadores.

"Apoio o presidente Trump, mas acredito que ele cometeu um erro nesta eleição no Texas. Ele apoiou Ken Paxton em vez de John Cornyn e, na minha opinião, Paxton não era o melhor candidato para o Senado", confidenciou à RFI uma representante local do sul do Texas.

Trump exerce grande influência sobre essas eleições. Resta saber, contudo, se seu apoio será suficiente para garantir a vitória dos candidatos republicanos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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