María Corina Machado participa de missa ao voltar à Venezuela após quase um ano fora do país
A principal líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, anunciou neste domingo (25) que retornou à Venezuela após passar quase um ano fora do país e longe da vida pública. "Estou aqui. Com todos vocês", escreveu a vencedora do Prêmio Nobel da Paz em suas redes sociais. A opositora afirmou ainda estar em território venezuelano.
A líder opositora María Corina Machado retornou à Venezuela após quase um ano de exílio no Panamá, participando de uma missa em Caracas. A volta, celebrada pelo aliado Edmundo González, pode criar tensões com o governo Donald Trump, que apoia a presidente interina Delcy Rodríguez e prioriza acordos petrolíferos em vez de eleições imediatas. Defendendo um governo democrático para atrair investimentos, Machado regressa após a queda de Nicolás Maduro e sob forte clamor popular da oposição.
Seu aliado e ex-candidato à Presidência da Venezuela, Edmundo González Urrutia, confirmou a informação e comemorou o retorno. "Venezuela! É com enorme emoção que anuncio que nossa líder, minha querida María Corina, está em território venezuelano. Hoje é um dia muito importante para os venezuelanos", escreveu na rede X. Ele acrescentou que em breve estará ao lado da líder opositora.
O retorno de Machado a Caracas pode gerar atritos com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos. Antes mesmo da queda de Nicolás Maduro, em janeiro, a opositora buscava apoio da administração americana para sua causa.
Ao longo dos últimos meses, Trump manifestou apoio à presidente interina Delcy Rodríguez, ex-aliada de Maduro, e celebrou acordos na área de petróleo e outros projetos comerciais envolvendo empresas americanas na Venezuela.
Em setembro, o presidente americano afirmou considerar prematuro discutir a realização de eleições democráticas no país. Questionado neste domingo (25) sobre o retorno de María Corina, disse que não tinha conhecimento da informação. "Espero que ela esteja em segurança", declarou.
Exílio no Panamá
A líder opositora deixou a Venezuela no fim de 2025, quando estava impedida de deixar o país por determinação das autoridades. Ao anunciar sua volta, afirmou que apenas "um governo sério e democrático" poderá oferecer a estabilidade necessária para atrair investidores internacionais.
Essa avaliação, no entanto, contrasta com a posição da administração Trump. No mês passado, o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, participou ao lado de Delcy Rodríguez da assinatura de novos contratos no setor energético venezuelano.
Machado vivia exilada no Panamá e havia prometido retornar à Venezuela. Segundo fontes de seu partido, o Vente Venezuela, sua volta ao país foi frustrada pelo menos sete vezes.
Muitos dos líderes da oposição retornaram recentemente do exílio, para onde haviam partido após as controversas eleições de julho de 2024, nas quais Nicolás Maduro declarou vitória. A oposição denunciou fraude.
O pleito foi seguido por uma onda de repressão que deixou 28 mortos e mais de 2.400 detidos, entre eles dezenas de colaboradores de María Corina Machado.
Rodríguez governa sob pressão de Washington desde a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos.
Na quinta-feira, milhares de pessoas foram às ruas em diferentes cidades venezuelanas para exigir o retorno da líder vencedora do Prêmio Nobel da Paz. Foi a maior manifestação da oposição desde a queda de Nicolás Maduro, em janeiro.
AFP e RFI
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