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América Latina

Após ataque dos EUA, venezuelanos temem pelo que pode acontecer nas próximas horas

Após a madrugada de bombardeios na Venezuela neste sábado (3), a população local amanheceu apreensiva com a notícia de que o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores teriam sido capturados pelos Estados Unidos. A notícia foi dada pelo líder norte-americano Donald Trump através de sua rede social, Truth.

3 jan 2026 - 10h57
(atualizado às 16h12)
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Elianah Jorge, especial para a RFI

Os ataques foram feitos com helicópteros a partir da 1h50 da manhã (2h30 de Brasília) na capital Caracas, no estado Aragua (região central) e em La Guaira, costa central da Venezuela. Os venezuelanos estão assustados com a situação e temem pelo desenrolar dos acontecimentos nas próximas horas.

Desde agosto passado, quando Donald Trump ordenou que Maduro abandonasse o poder, o governo da Venezuela passou a treinar civis e militares. Muitos deles receberam armas para agir em caso de ataque. No entanto, os ataques foram aéreos, sem confronto direto em solo contra os defensores do regime de Maduro.

"Aqui há muitas armas, muitos coletivos (os paramilitares armados bancados pelo governo de Maduro), muitas metralhadoras e fuzis. Os gringos não ficaram aqui, não desembarcaram, foi uma extração. Muito provavelmente Diosdado Cabello e os irmãos Rodriguez (Delcy, vice-presidente, e Jorge, o presidente da Assembleia Nacional) vão aplicar um estado de exceção e podem começar a massacrar os dissidentes. A situação é bastante tensa", opinou um venezuelano entrevistado pela RFI que pediu anonimato.

Diosdado Cabello, ministro venezuelano de Interior e Justiça, horas após os ataques confirmou pelos canais estatais que não havia informações sobre o paradeiro de Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Cabello é uma pessoa temida em todo o país e foi elevado ao cargo de ministro após Maduro ser empossado pelo Conselho Nacional Eleitoral sem que este órgão demonstrasse provas para legitimar a vitória do chavista na eleição de julho de 2024.

'Medo de ficar sem ter o que comer'

Com o ataque surpresa dias após as festas de fim de ano, muitos venezuelanos não contam com alimentos estocados. É grande a preocupação sobre o abastecimento de comida para os próximos dias.

A ordem dada pelos militares no país é que os venezuelanos não saiam de suas casas. Mas, temendo as próximas horas, alguns foram aos supermercados. Na manhã deste sábado, motoristas faziam filas na capital Caracas em frente a postos de gasolina para abastecer veículos.

"Estou indo ao mercado ver se consigo alguma coisa. Não tenho nada guardado e estou angustiada com toda esta situação. Tomara que não se agrave nas próximas horas. Tenho medo de ficar sem ter o que comer", afirmou à RFI Brasil uma venezuelana que também preferiu não se identificar.

Embora  a moeda venezuelana seja o Bolívar, no cotidiano as transações são feitas em dólar ou baseados no valor da moeda americana. Ontem a cotação na Venezuela fechou em pouco mais de 60 bolívares por dólar. Já na manhã de hoje a variação cambiária subiu mais de 20 pontos, sendo cotado a 87 bolívares.

Através de mensagem de áudio veiculada nos canais estatais, a vice-presidente Delcy Rodriguez afirmou, sem precisar números, que vários civis e militares morreram nos ataques desta madrugada.

A gestão de Nicolás Maduro foi marcada pelo medo e pelo silêncio da população venezuelana. O povo aguarda com ansiedade por informações e prefere manter silêncio ou o anonimato em receio a possíveis retaliações. É grande a incerteza no país.

Está prevista para às 11h da manhã de hoje (pelo horário da costa leste dos EUA) uma declaração do governo Trump sobre os ataques na Venezuela. A população do país aguarda com ansiedade a possível imagem de Nicolás Maduro capturado e em solo norte-americano.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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