Make America (Latina) Great Again: Bad Bunny faz história sob o ódio de Trump no Super Bowl
No palco do Super Bowl LX, o reggaeton não apenas alegrou o público, mas serviu como um manifesto de resistência à era Trumpista (em espanhol)
Festa. Latinidade. Orgulho. O que se viu no show do intervalo do Super Bowl 2026 foi uma celebração da cultura que vem sendo aniquilada nos Estados Unidos. O que assistimos neste domingo (8), no Levi's Stadium, foi muito mais do que os habituais 13 minutos de pirotecnia e hits radiofônicos. O show do intervalo, comandado pelo fenômeno porto-riquenho Bad Bunny, foi um ato político de ocupação. Em uma Califórnia que vibrava ao som do reggaeton, Benito Antonio Martínez Ocasio não pediu licença; ele exigiu espaço, cantando integralmente em espanhol e celebrando suas raízes em um momento em que a identidade latina é alvo de ataques sistemáticos.
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Super Bowl 2026
A performance foi uma aula de originalidade. Iniciando o espetáculo em meio a uma plantação cenográfica — uma referência direta ao aclamado e premiado "Debí Tirar Más Fotos" —, Bad Bunny trouxe a estética do Caribe para o centro do império americano. Ao emendar sucessos como "Tití Me Preguntó" e "Yo Perreo Sola", ele não estava apenas fazendo o público dançar; estava afirmando que a cultura latina é, hoje, a força motriz do entretenimento global. As participações de Ricky Martin e Lady Gaga apenas coroaram o que já era evidente: o mundo fala a língua de Benito.
No entanto, a beleza da exaltação cultural foi acompanhada pelo barulho estridente do preconceito alaranjado. O presidente Donald Trump, incapaz de tolerar o protagonismo de quem ele insiste em marginalizar, usou suas redes sociais para destilar o habitual veneno. Ao classificar o show como "absolutamente terrível" e "um dos piores de todos os tempos", Trump apenas confirmou sua incapacidade de compreender a pluralidade que sustenta os próprios Estados Unidos.
Reação já esperada. Para um líder que constrói sua base sobre o medo e o ódio contra o diferente, ver um artista latino dominar a maior audiência da TV americana sem abrir mão de uma única sílaba de sua língua materna é uma derrota amarga.